Câmbio não retomará patamar do passado, diz Mantega

Para ministro da Fazenda, cotação do dólar frente ao real ficará em um nível 'mais realista e desejado'

Célia Froufe, da Agência Estado,

03 Outubro 2008 | 12h47

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou nesta sexta-feira, 3, que acredita que a cotação do dólar frente o real não voltará aos mesmos patamares do passado, mas deve ficar em um "patamar mais realista e desejado". "Este câmbio (ao redor de R$ 2) é muito melhor, tanto para baixar as importações quanto para estimular a exportações", disse. Para ele, uma das vantagens dos produtos estrangeiros em relação aos brasileiros era unicamente a variação cambial, e não sua qualidade ou competência do produtor. "As exportações deverão melhorar a partir deste câmbio", calcula.   Veja também: BC reduz compulsório e devolve R$ 23,5 bi à economia Pacote só será votado se tiver aprovação certa, diz Pelosi Crise afetará neoliberalismo, dizem analistas Especialistas dão dicas de como agir no meio da crise Entenda o pacote anticrise que passou no Senado dos EUA A cronologia da crise financeira  Veja como a crise econômica já afetou o Brasil Entenda a crise nos EUA    Mantega disse ainda que a "correção" da taxa cambial, além de ser oportuna, não é indesejável ainda que afete um pouco a inflação e o saldo em transações correntes com a saída organizada dos investidores. "Minha impressão é de que o câmbio não voltará aos patamares em que estava no passado", previu. "O câmbio deve se localizar em patamar mais realista e mais desejado", continuou. Ele atribuiu a redução do saldo da balança comercial do País ao dólar até então baixo e ao aumento do preço do petróleo no mercado internacional, já que a compra de diesel tem grande peso nas contas do comércio exterior brasileiro.   Provocado pelos empresários sobre uma eventual participação do governo na formação da cotação do dólar, Mantega afirmou: "de fato, o governo influencia o câmbio sim". Ele explicou que o País passou a acumular reservas internacionais em 2006, ano em que ele ingressou nos quadros do governo. Segundo o ministro, se essas compras não fossem feitas, o dólar teria ido para o nível de R$ 1,20, R$ 1,30. "Chegamos a comprar quase US$ 90 bilhões em um ano, mas câmbio flutuante ainda é a melhor modalidade", ponderou, acrescentando que o governo não pretende alterá-la.   Crise   Durante o encontro com empresários que representam a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), na capital paulista, o ministro afirmou que o "momento atual é traumático". "Tomaremos todas as medidas necessárias, pois o governo tem um arsenal grande. É só identificar os problemas", reforçou.   Ele afirmou que o governo poderá fazer uso criativo das reservas internacionais do País, atualmente em cerca de US$ 207 bilhões, para dar mais liquidez ao mercado financeiro. Mantega, contudo, não detalhou quais seriam essas medidas, mas ressaltou que os leilões de venda de dólar conjugada com compra futura que o Banco Central promoveu recentemente não alteraram o nível das reservas. Em resposta a jornalistas sobre essas eventuais medidas, ele apenas respondeu: "no momento oportuno, vocês terão conhecimento".   Mantega acrescentou que o governo já vem tomando medidas para evitar a restrição da liquidez, causada pela turbulência internacional. Mas procurou acalmar os empresários, afirmando que a situação é passageira. "A crise não vai acabar logo, mas momento de estresse é passageiro." Ele comentou ainda que o governo vem propondo novas medidas para fomentar o crédito na área de exportação.

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