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Câmbio não terá medidas especiais, diz Dilma

Para presidente, momento de instabilidade e nervosismo é causado pela crise europeia

LISANDRA PARAGUASSU, ENVIADA ESPECIAL / NOVA YORK, O Estado de S.Paulo

23 de setembro de 2011 | 03h07

O governo brasileiro não vai adotar medidas extraordinárias para tentar controlar a disparada do dólar dos últimos dias. Em entrevista ontem em Nova York, a presidente Dilma Rousseff afirmou que este é um momento de instabilidade por causa da crise europeia - mais especificamente o risco de calote grego -, mas o governo está tranquilo.

"Neste momento, que é um momento de volatilidade e nervosismo dos mercados, a nossa atitude é de calma e tranquilidade e de estabilizar todo o processo. Tanto o ministro Guido Mantega (Fazenda) quanto o ministro Alexandre Tombini (presidente do Banco Central) estão tomando as providências cabíveis", afirmou a presidente.

"Mas nós não estamos ainda tomando nenhuma medida não usual. São as mesmas de sempre: swaps, eventualmente comprando dólar, mas ainda não compramos em quantidade, e acreditando que as coisas vão se ajustar", completou.

Dilma atribuiu a recente alta do dólar aos problemas externos causados pela crise econômica que atinge a Europa e os Estados Unidos, especialmente a percepção, aumentada recentemente, de que a Grécia pode ser incapaz de cumprir seus compromissos e caminha para um calote. Além disso, lembrou a presidente, na última semana as agências de classificação de risco baixaram a nota de sete bancos italianos e de três americanos.

"Mas os mercados, no curto prazo, eles são assim, eles têm essa volatilidade. Assim como sobem, eles descem. A política do Banco Central e a orientação do ministro Mantega é de estabilizar o mercado brasileiro. Nós não temos a mesma situação. Nós somos um país com endividamento muito baixo, temos as contas públicas em ordem, somos um país com elevada acumulação de reservas e também temos o recurso a toda regulação dos bancos brasileiros, que é muito sólida", garantiu.

Fuga. A avaliação da presidente é que a alta do dólar é uma "fuga para a segurança" que inverteu o movimento de desvalorização do real que vinha ocorrendo há meses, assim como de outras moedas. No entanto, não acaba com um dos maiores problemas, a chamada "guerra cambial" cujo principal ator são os EUA - apesar de o país não ter sido citado pela presidente.

"Mesmo a gente entendendo por que é importante para alguns países expandirem sua política monetária e colocarem seus juros a zero, esse fato cria uma competitividade indevida para a economia desses países. Indevida porque cria uma valorização da moeda dos países que não fizeram isso extremamente adversa. Nós temos uma valorização do real que não é sistêmica, mas alterada por fatores que não são aqueles baseados no mercado, mas na política", declarou.

Sobre o impacto da alta do dólar na inflação - que a equipe econômica já tem dificuldades de controlar, mesmo com o real valorizado -, a presidente afirmou que o governo está sempre atento ao problema, mas destacou que a tendência do mundo é de recessão e deflação. "Tudo indica que a tendência internacional é deflacionária. Mais cedo ou mais tarde essa característica vai ocorrer no mundo", afirmou.

Esse é o discurso também nos bastidores do governo. Um integrante da equipe econômica avalia que não haverá impactos importantes na inflação mesmo se o dólar se estabilizar na casa do R$ 1,80, pois o desaquecimento da economia interna esperado para este ano ajudará a puxar a inflação para baixo. Outra fonte observou que o repasse da alta do dólar aos preços já não é tão direto como há alguns anos.

Atualmente, há muitos instrumentos para os agentes econômicos se protegerem da oscilação da moeda, por isso os efeitos são suavizados.

O governo tampouco está preocupado, pelo menos por enquanto, com a exposição de instituições financeiras e empresas às dívidas em moeda estrangeira. Fonte da equipe econômica diz que o tema continua no radar, mas não há indicações de que bancos e companhias tenham alguma posição "descasada" em dólar - ou seja, dívidas na moeda sem proteção contra a variação cambial. / COLABORARAM ADRIANA FERNANDES e FERNANDO NAKAGAWA

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