Andre Dusek/Estadão
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Mercado financeiro prevê recessão mais forte em 2015 e 2016

Segundo o Relatório Focus, PIB deve cair 2,06% neste ano e 0,24% no ano que vem

Célia Froufe, O Estado de S. Paulo

24 de agosto de 2015 | 09h05

BRASÍLIA - A retração do Produto Interno Bruto (PIB) em 2016, prevista na semana passada pela primeira vez no Relatório de Mercado Focus, foi acentuada na edição de hoje. De acordo com o documento divulgado pelo Banco Central (BC), a mediana das previsões para a atividade do ano que vem passou de um recuo de 0,15% para uma queda de 0,24%. Há quatro semanas, a taxa vista era de uma alta de 0,20% para esse indicador.

Para este ano, a deterioração das previsões do mercado financeiro para a atividade no País também está cada vez mais forte. As projeções para o PIB de 2015 foram revisadas de uma queda de 2,01% para uma baixa de 2,06% agora. O documento é divulgado pelo Banco Central toda segunda-feira pela manhã.

O BC, apesar de também ter revisado para pior sua projeção do PIB para este ano, de queda de 0,6% para retração de 1,1%, segue mais otimista que o mercado. No Relatório Trimestral de Inflação de junho, a instituição informou que a mudança ocorreu em função de piora nas perspectivas para a indústria, cuja expectativa de PIB recuou de -2,3% para -3,0%.

No boletim Focus, a projeção para a produção industrial também mostrou piora: saiu de uma baixa de 5%, onde estava quatro semanas antes, para recuo de 5,20%. Já para 2016, a mediana das estimativas segue em 1%.

Inflação. Pela terceira semana consecutiva, a mediana das projeções para o IPCA do ano que vem, justamente onde está o foco de atuação do Banco Central neste momento, apresentou elevação. A taxa subiu de 5,44% para 5,50%.

O BC promete levar a inflação para a meta de 4,5% no fim do ano que vem, mas recentemente, a autarquia vem chamando a atenção para “novos riscos” que surgiram para o comportamento dos preços. Pelos cálculos da instituição revelados no Relatório Trimestral de Inflação (RTI) de junho, o IPCA ficará em 4,8% em 2016 no cenário de referência e em 5,1% no de mercado.

No caso da inflação de 2015, após a estabilidade nas estimativas na semana passada após 17 rodadas seguidas de elevação no boletim Focus, houve a primeira queda das previsões. A mediana para esse indicador passou de 9,32% para 9,29%. No RTI de junho, o BC havia apresentado estimativa de 9% no cenário de referência e de 9,1% usando os parâmetros de mercado. Na última ata do Copom, porém, o BC informou que suas projeções para 2015 também subiram mais.

Ajudando as previsões para o IPCA deste ano a caírem, as estimativas para os preços administrados ou monitorados pelo governo deste ano deixaram a tendência de alta e passaram a cair. As projeções para 2015 revelam que a mediana passou de 15,20% da semana passada para 15,15% agora.

Os analistas mais pessimistas, porém, seguem acreditando que a inflação deste ano terminará em dois dígitos. A projeção máxima de 10,02%, vista na semana passada, foi mantida agora, a despeito de uma melhora na mediana das estimativas para a pesquisa geral para o período. 

Para a inflação de curto prazo, houve mudanças para baixo após a divulgação do IPCA-15 de agosto. A projeção para o IPCA deste mês caiu de 0,30%, onde já estava quatro semanas atrás, para 0,26%. No caso de setembro, a taxa esperada passou de 0,40%, onde também estava estacionada um mês atrás, para 0,38%. 

Juro. A dúvida sobre o comportamento da Selic de 2016 na semana passada foi dizimada no Relatório de Mercado Focus. A mediana das previsões para a taxa básica de juros no período saiu de 11,88% ao ano - o que mostrava falta de consenso entre um nível de 11,75% e 12,00% - para 12% ao ano agora. 

Para este ano, as expectativas ficaram congeladas. A previsão do boletim Focus de que a Selic chegue ao final deste ano em 14,25% ao ano foi mantida pela quarta semana seguida.

Dólar. Após as estilingadas vistas na semana passada, as projeções no Relatório Focus para o comportamento do câmbio deste e do próximo ano passaram apenas por alguns ajustes. Para 2015, a mediana das estimativas para o dólar subiu de R$ 3,48 para R$ 3,50. Para o próximo ano, a mediana para o câmbio ao final do período, que também tinha subido de forma significativa na semana anterior, passando de R$ 3,50 para R$ 3,60, permaneceu agora neste patamar.

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