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Câmbio valorizado reduz peso da indústria no PIB

Participação caiu de 33% no período 1990-1995 para 22% nos últimos 5 anos, segundo estudo do Iedi; desalinhamento do real estaria em 16,3%

Marcelo Rehder, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2014 | 00h00

A taxa de câmbio brasileira apresenta um desalinhamento de 16,3% em relação a uma cesta de moedas dos 25 maiores parceiros comerciais do País. Em vez de R$ 1,96, o valor médio do dólar deveria ter sido de R$ 2,34 no segundo trimestre do ano.Essa é uma das principais conclusões de um estudo apresentado ontem pelo Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), em reunião que teve a participação do secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Bernard Appy, na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp)."O ajustamento imposto à indústria pela valorização cambial leva a uma mudança estrutural na composição da produção que deverá resultar na criação de menos empregos nos próximos anos", afirmou Edgard Pereira, economista-chefe do Iedi.Segundo ele, o desalinhamento do câmbio tem se refletido na queda da participação da indústria no Produto Interno Bruto (PIB)l, que passou de 33%, no período 1991-1995, para 22%, de 2001 a 2005. Entre 1981 e 1990, era de 44% do PIB."A percepção de que a taxa de câmbio permanecerá valorizada tem levado as empresas a promoverem mudanças estruturais na forma de atuação, ampliando o componente importado da produção nacional", disse o economista. "Com isso, cai o valor adicionado do setor".Outro problema identificado pelo estudo do Iedi é que indústrias de transformação de alta intensidade tecnológica ampliaram o déficit na balança comercial - no primeiro semestre deste ano, o déficit chegou a R$ 6,847 bilhões, ante um saldo negativo de US$ 5,419 no mesmo período de 2006. E setores de média alta intensidade tecnológica tornaram-se deficitários no mesmo período - eles acumularam déficit comercial de US$ 3,321 bilhões, ante um superávit de US$ 98 milhões no primeiro semestre do ano passado."A balança comercial brasileira depende fundamentalmente das commodities, em detrimento da alta tecnologia", disse o economista. O secretário de Política Econômica, Bernard Appy, discorda do Iedi. "Não existe, hoje, do ponto de vista macroeconômico, nenhuma inadequação da política cambial", disse. Ele fez questão de frisar que foi à reunião mais para ouvir do que falar."Os pontos de vista referentes ao item são diversos", disse Paulo Francini, diretor da Fiesp. Ele disse que a sociedade ainda não tem claro qual é o projeto futuro para o País. "Nós, da indústria, temos absoluta curiosidade de saber qual o papel que esse projeto maior reserva para o setor produtivo, pois não temos clareza sobre isso", disse.

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