Câmbio volta a ficar sob forte tensão

Os mercados pareciam estar se estabilizado, embora a cautela prevalecesse e as cotações mostrassem pessimismo. Mas os avanços de Luiz Inácio Lula da Silva (PT/PL) nas pesquisas eleitorais reacenderam as desconfianças dos grandes investidores com a política econômica do novo governo. Além disso, os Estados Unidos dão mostras claras de que vão à guerra com o Iraque, num momento em que a economia está frágil. As conseqüências são quedas recorde nas bolsas internacionais e saída de capitais do Brasil.Hoje à tarde o Ibope divulga o resultado da sua última pesquisa de intenção de votos. Lula segue com boas chances de vencer as eleições já no primeiro turno, já que José Serra (PSDB/PMDB), o favorito dos mercados, parece ter estacionado em torno de 19%; ao menos segundo os boatos que vêm circulando entre os investidores. Esse parece ter sido o principal motivo do nervosismo dos últimos dias.Mas os Estados Unidos seguem nos preparativos para a guerra. Ontem o presidente George W. Bush encaminhou pedido de aprovação para a ofensiva militar ao Congresso. Ele declarou que intervirá no Iraque com ou sem a Organização das Nações Unidas (ONU). De qualquer modo, a aceitação dos principais aliados e dos membros mais influentes da organização já é maior. No dia 15 de outubro, devem chegar os primeiros inspetores de armas da ONU, mas Bush dá sinais de que isso não será suficiente.Com a guerra mais próxima, outro fator de preocupação é o desempenho da economia norte-americana. Os dados divulgados ultimamente revelam desempenho decepcionante. O maior temor dos investidores é que a guerra possa ajudar empurrar a economia para uma recessão mais profunda nesse momento de fragilidade. As bolsas no mundo inteiro voltaram a despencar em função do cenário negativo.No Brasil, o Banco Central vem intervindo pesadamente no câmbio, mas sem muitos frutos. Ainda assim, a decisão do governo de resgatar parte dos títulos cambiais ajuda a pressionar as cotações do dólar. Ao não renovar grandes volumes de títulos cambiais que vencem nos próximos 30 dias o governo pelo menos traz mais um elemento de tensão ao mercado, segundo analistas. Segundo o BC, como as linhas de crédito diminuíram muito nos últimos meses e só vêm sendo retomadas muito gradualmente, as empresas não precisam de papéis cambiais a fim de fazer reservas para cobrir dívidas no exterior. Por isso, o efeito desses resgates de títulos deveria ser neutro.Mercados O dólar comercial foi vendido a R$ 3,4500 nos últimos negócios do dia, em alta de 2,83% em relação às últimas operações de ontem. No mercado de juros, os contratos de DI futuro com vencimento em janeiro de 2003 negociados na Bolsa de Mercadorias & Futuros pagam taxas de 22,250% ao ano, frente a 21,800% ao ano ontem. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou em queda de 1,40% em 9372 pontos. Em Nova York, o Dow Jones - Índice que mede a variação das ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - fechou em queda de 2,81% (a 7942,4 pontos), e a Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática em Nova York - subiu 2,85% (a 1216,45 pontos). O euro fechou a US$ 0,9870; uma alta de 0,96%. Na Argentina, o índice Merval, da Bolsa de Valores de Buenos Aires, fechou em baixa de 0,42% (376,42 pontos). Não deixe de ver no link abaixo as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

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