Cameron quer incrementar relações com o Brasil

'Se você não pode vencê-los, junte-se a eles', disse o primeiro-ministro do Reino Unido, em sua primeira visita oficial ao País

Daniela Milanese, da Agência Estado,

27 de setembro de 2012 | 11h52

SÃO PAULO - "Se você não pode vencê-los, junte-se a eles." Foi com essa frase que o primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron, resumiu sua intenção de incrementar as relações com o Brasil, agora a sexta maior economia do mundo, à frente dos britânicos. Ele chegou nesta quinta-feira a São Paulo para sua primeira visita oficial ao País.

Depois de um longo período de relações congeladas, os britânicos agora se voltam ao Brasil para tentar reaquecer sua própria economia, atualmente em recessão. Os setores de maior interesse são energia, defesa, infraestrutura, educação e farmacêutica. Em rápido pronunciamento na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Cameron usou a metáfora do futebol para tratar do atual momento brasileiro, de maior relevância no cenário internacional. "O futebol foi inventado no Reino Unido, mas aperfeiçoado no Brasil."

Ele deixou claro, entretanto, que não busca apenas oportunidades para que empresas britânicas invistam aqui. Quer, também, que as companhias brasileiras entrem no Reino Unido, um país "amigável aos negócios" e de localização estratégica. "Uma desvantagem é o clima, e parece que eu trouxe isso para cá", brincou, referindo-se ao dia frio da primavera brasileira.

Protecionismo

O presidente da Fiesp, Paulo Skaf, disse que tomou a iniciativa de "explicar" a Cameron que o Brasil não busca o protecionismo, mas sim adota medidas para recuperar a produtividade. Segundo Skaf, Cameron não reclamou nem fez nenhum comentário sobre o aumento de tarifas de importação adotado recentemente pelo País - sabe-se, entretanto, que as medidas desagradam ao governo britânico.

O presidente da Fiesp disse que a entidade brigou por mais de um ano para redução das tarifas de eletricidade e quer a diminuição da conta de gás, além da conhecida defesa da redução dos juros e da manutenção de um nível mais favorável do câmbio. "Precisamos recuperar a competitividade do Brasil", afirmou.

Skaf também defendeu o aumento do comércio entre os dois países, hoje pouco relevante. As correntes comerciais somadas de Brasil e Reino Unido chegam a US$ 1,6 trilhão, mas o comércio bilateral é de apenas US$ 9 bilhões. "Isso é nada, há muito o que fazer."

Em 2011, o Brasil investiu quase US$ 1 bilhão no Reino Unido, enquanto os britânicos aportaram US$ 3 bilhões aqui.

O interesse dos britânicos pelo País nunca foi tão forte. Os projetos de infraestrutura, as descobertas do pré-sal, o processo de renovação do Exército nacional e os eventos esportivos a serem sediados aqui abrem diversas oportunidades para as empresas estrangeiras. Tanto que a General Dynamics UK, gigante do setor de defesa, aproveita a visita de Cameron para anunciar a abertura de subsidiária no Rio de Janeiro.

A delegação de 50 empresários britânicos que está no Brasil, acompanhando o primeiro-ministro, é a maior já montada pelo país.

O relacionamento entre os dois países também ganhou impulso com a realização da Olimpíada em Londres, já que existe cooperação para o evento a ser realizado no Rio em 2016 - ponto abalado pelo roubo de informações sigilosas pelos brasileiros.

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