Camex admite redução adicional de TEC para trigo

Governo já autorizou compra de 1 milhão de toneladas de EUA e Canadá sem a tarifa; cota pode ir a 4 milhões

Renata Veríssimo e Marina Guimarães, O Estadao de S.Paulo

24 de abril de 2008 | 00h00

A Câmara de Comércio Exterior (Camex) pode ampliar a cota de importação de trigo de países de fora do Mercosul, com alíquota zero de imposto, caso os moinhos brasileiros achem a medida necessária para garantir o abastecimento do mercado interno. "Não tem por que não atender ao setor", afirmou ao Estado a secretária-executiva da Camex, Lytha Spindola. Acompanhe on line a divulgação da ata da última reunião do Copom Veja o comportamento da taxa Selic no governo Lula Entenda a crise dos alimentos no mundo e o impacto na inflaçãoA Argentina, principal mercado fornecedor de trigo ao Brasil, anunciou que não reabrirá as exportações enquanto não houver um acordo com os produtores locais. As vendas do produto foram suspensas no fim do ano passado pelo governo, que temia desabastecimento interno. Em reação, a Camex reduziu para zero a Tarifa Externa Comum (TEC, imposto de importação cobrado para produtos importados de países fora do Mercosul) para até um milhão de toneladas de trigo compradas até 30 de julho. A Associação Brasileira da Indústria de Trigo (Abitrigo) reivindica 4 milhões de toneladas.O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, ainda aposta em um entendimento com a Argentina. Para ele, a elevação da cota para compras dos EUA e do Canadá seria inócua. "Não adianta porque o preço é maior e o frete, mais caro."Lytha afirmou que, até o momento, não há um pedido formal da indústria para ampliar a cota, mas acrescentou que, se o setor trouxer a demanda, o governo colocará o assunto em discussão. O presidente do Conselho Deliberativo da Abitrigo, Luiz Martins, disse ontem que esse pedido será feito em breve. "Vamos solicitar ao governo brasileiro que nos permita importar esse volume de trigo para abastecer nosso mercado sem alíquota porque não sabemos quando haverá trigo argentino", disse, após participar de uma reunião em Buenos Aires. O Ministério do Desenvolvimento informou que os moinhos brasileiros só importaram até agora 100 mil toneladas de trigo dentro da cota estabelecida pela Camex. Mas, segundo Martins, já foram 600 mil toneladas. Para o executivo, a diferença entre os preços da Argentina e dos EUA e do Canadá "poderia ser compensada pelo governo brasileiro com a suspensão temporária da cobrança do imposto sobre o frete, que vai para a recuperação da marinha mercante". Esse imposto representa um adicional de 25% sobre o frete.

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