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Camex avalia necessidade de cortar tarifa do trigo

O Ministério da Fazendapediu à Câmara de Comércio Exterior (Camex) que avalie anecessidade de reduzir a tarifa de importação de trigo, numamedida para conter a inflação, informou o ministro GuidoMantega nesta segunda-feira. A medida ocorreria em um momento em que os preços dafarinha de trigo estão sendo impulsionados pelas cotações maiselevadas da commodity no mercado internacional. O Brasil temimportado cerca de 70 por cento de seu consumo de trigo,estimado em 10,5 milhões de toneladas. Mantega ponderou, entretanto, que como a maior parte dotrigo importado pelo Brasil vem da Argentina, que já conta comalíquota zero de tarifa, a medida pode não ter eficácia. Paraos países de fora do Mercosul, a alíquota é hoje de 10 porcento. "Não é decisão ainda tomada, mas passamos para a Camex paraque ela avalie a questão", disse a jornalistas, acrescentandoque esta é a única redução de alíquota que está sendo de fatoanalisada no governo. Mantega afirmou ainda que pediu à Secretaria de AssuntosEconômicos (Seae) que monitore mais de perto o aumento depreços de produtos como leite, carnes e grãos. Ele disse que esses preços estão subindo em um momento deentressafra, e o objetivo é detectar se há outros fenômenosfora "da dinâmica dos mercados" afetando seu comportamento. Para Mantega, a economia conta atualmente com mais demanda,mas sem "maiores pressões inflacionárias". Ele destacou que,enquanto os alimentos e alguns serviços sobem, os preçosadministrados estão perdendo força. "Então há um equilíbrio." PALAVRA DA INDÚSTRIA O secretário de Comércio Exterior do Ministério doDesenvolvimento, Armando Meziat, afirmou a jornalistas maiscedo que a redução da alíquota do trigo estava sendo avaliada apedido da indústria nacional. Segundo ele, a redução seria temporária --valeriaprovavelmente até outubro-- e adotada para fazer frente àdeterminação, tomada em março pela Argentina, de suspender osregistros de exportações do produto. O presidente do Conselho Deliberativo da AssociaçãoBrasileira da Indústria de Trigo (Abitrigo), Luiz Martins,afirmou mais cedo à Reuters que, caso a redução da tarifa paraa importação seja decidida pelo governo, viria com atraso. A Abitrigo, diante da suspensão nos registros deexportações na Argentina e prevendo uma redução da ofertamundial em 2007 --e a consequente elevação dos preçosinternacionais--, pediu em março deste ano a redução da TarifaExterna Comum (TEC) do Mercosul, ou seja, para compras deoutros países. De acordo com Martins, se a TEC tivesse sido reduzidanaquela época, as indústrias poderiam ter se programado melhor,realizando compras fora do Mercosul em um período de preçosmais baixos. Na sexta-feira, os futuros do trigo na bolsa de Chicago,referência internacional para o mercado, registraram o maiorpreço da história, devido à forte demanda mundial em meio a umaoferta restrita. Neste momento, a redução da TEC não teria efeitos desejadosporque as indústrias brasileiras já podem buscar o trigo nomercado interno. A colheita do Brasil começou recentemente noprincipal produtor do país, o Paraná. A redução da TEC, no entanto, poderia pressionar aArgentina a liberar os registros de exportação. "Efetivamente, os argentinos estão abusando", disseMartins, referindo-se à suspensão dos registros na Argentina,cujo objetivo foi garantir a oferta interna do cereal paraimpedir uma pressão inflacionária. A colheita na Argentina começa tradicionalmente em novembroe os moinhos nacionais acreditam que, com a liberação dosregistros, poderão realizar compras da safra nova a preçomenor.

ISABEL VERSIANI E ROBERTO SAMORA, REUTERS

03 de setembro de 2007 | 19h53

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