Camex faz avaliação positiva da adesão da Venezuela ao Mercosul

Como membro pleno do Mercosul, a Venezuela - que formalizou nesta terça-feira sua adesão ao bloco - terá que adotar a Tarifa Externa Comum (TEC) do mercado comum no prazo de quatro anos. A partir de agora, qualquer mudança de tarifas e regras no Mercosul terá que ter a concordância do novo parceiro. O secretário-executivo da Câmara de Comércio Exterior (Camex), Mário Mugnaini, disse hoje que o livre comércio da Venezuela com Brasil e Argentina terá que estar funcionando, em 2010, e com o Paraguai e Uruguai, em 2014. A adesão da Venezuela foi um dos assuntos debatidos, nesta terça-feira, pelos ministros que integram a Camex.Com sua adesão, a Venezuela também passa integrar as negociações externas do Mercosul com outros blocos econômicos, como os Estados Unidos e a União Européia. Ela terá que absorver, no entanto, o que já foi negociado no passado e o acervo jurídico do Mercosul.As regras de origem - que determinam que um produto é do Mercosul - terão que ser atingidas plenamente em 2014. A regra de origem do Mercosul estabelece que 60% do valor agregado do produto têm que ser produzidos nos países que integram o bloco. As obrigações da Venezuela com os países da Comunidade Andina (Bolívia, Colômbia, Equador e Peru) têm prazo de quatro anos para terminar. Nesse período, a Venezuela passa, aos poucos, a ter as preferências comerciais que o Mercosul tem com os países da Comunidade Andina.Mugnaini relatou que na reunião de hoje da Camex, os ministros fizeram uma avaliação muito positiva sobre a adesão da Venezuela ao Mercosul. "Temos aumentado muito as nossas exportações para a Venezuela, principalmente de serviços", destacou. O secretário ressaltou que a Venezuela se integra ao Mercosul como um membro forte, já que tem "condições econômicas fortes", advindas de suas receitas com a exploração de petróleo.Independência O dia escolhido pelo presidente Hugo Chávez para a festa de sua incorporação ao Mercosul não foi uma casualidade: 4 de julho é também a data nacional dos Estados Unidos, país duramente criticado pelo venezuelano. Chávez também escolheu esse dia para reunir-se com o presidente argentino, Néstor Kirchner, e anunciar a emissão conjunta de um título que poderia ser de U$S 1 bilhões, segundo comenta o mercado. Denominado de "Bono del Sur" (Bônus do Sul), o título conjunto argentino-venezuelano, segundo Kirchner, "poderá ser o pré-início da construção de um banco, de um espaço financeiro" da região. A operação financeira será anunciada por Kirchner e Chávez como parte da festa da independência da Venezuela. Desde meados do ano passado até o momento, o governo venezuelano já adquiriu mais de US$ 3 bilhões em títulos argentinos. O engenheiro da operação é o secretário de Finanças, Alfredo Mac Laughlin, quem viajou junto com a ministra de Economia, Felisa Miceli, na comitiva de Kirchner. Não se sabe o que Chávez pedirá em troca da garantia de pagamento que seu governo dará ao novo título.Em principio, a operação seria vantajosa para a Argentina, já que o risco que os investidores pagam na Venezuela é menor que o local, e com isso, a taxa a pagar pela Argentina será também menor com essa garantia. A expectativa é de que o anúncio ocorra hoje ou amanhã.PIBCom a adesão formal da Venezuela como quinto sócio do Mercosul, o bloco regional passará a ter um Produto Interno Bruto (PIB) de aproximadamente US$ 1 trilhão e um comércio global de mais de US$ 300 bilhões. Juntos,os cinco países têm cerca de 250 milhões de habitantes. Os números significam um "fortalecimento" do Mercosul, na avaliação do subsecretário de Integração Econômica da Chancelaria argentina, Eduardo Sigal.Ele disse que a incorporação da Venezuela, "a terceira economia da região, é transcendental para o Mercosul". Depois da assinatura dos presidentes da Argentina, Brasil, Paraguai, Uruguai e Venezuela, que ocorrerá nesta terça-feira em Caracas, o protocolo de adesão do país caribenho terá que ser ratificado pelo Congresso de cada um dos sócios. Mas o presidente Hugo Chávez já poderá desembarcar em Córdoba, nos próximos dias 20 e 21, quando será realizada a Cúpula do Mercosul, como um dos sócios com direito a voz e voto.

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