Caminhão com excesso de carga dá prejuízo a País

O excesso de carga transportado por caminhões nas rodovias federais causa prejuízos anuais de R$ 1,5 bilhão aos cofres do governo, segundo o Ministério dos Transportes. Para ter idéia, o dinheiro daria para terminar a duplicação da rodovia Fernão Dias (BR-381), que liga São Paulo a Belo Horizonte ou concluir 79% do trecho Sul do Rodoanel, na capital paulista, calculado em torno de R$ 1,9 bilhão. Segundo o ministério, apenas 20% de sobrecarga em um veículo é capaz de reduzir em 50% a vida útil das estradas. Em muitas situações, porém, os motoristas trafegam com o dobro de peso da capacidade do caminhão, afirma o presidente da Associação Nacional dos Transportes de Carga e Logística (NTC), Geraldo Vianna. "Mas isso é resultado da falta de fiscalização do próprio governo federal, que não tem balanças suficientes para controlar a circulação dos veículos." Apenas 13 postos estão em operação nos 58 mil quilômetros de rodovias federais pavimentas. A intenção do governo é reforçar o número de balanças em pontos estratégicos dos principais corredores do País, evitando que os motoristas fujam das fiscalizações por meio de rodovias estaduais e municipais. Para isso, o Ministério dos Transportes criou um plano diretor para recuperar e modernizar 30 balanças até o início de 2005. No total, serão 150 balanças fixas e móveis. A restauração das unidades já existentes, mas desativadas, deverá exigir investimentos da ordem de R$ 25 milhões, afirma o assessor da Secretaria de Gestão de Programas de Transportes Carlos Alberto la Selva. Segundo ele, a reforma será feita pelo Batalhão de Engenharia do Comando do Exército para diminuir o custo do projeto. CaminhoneirosO presidente da Associação Brasileira de Caminhoneiros (Abcam), José da Fonseca Lopes, reconhece que o problema do excesso de peso atinge quase todo o setor. Na opinião dele, no entanto, o maior culpado é o governo, que não soluciona o problema. Lopes afirma que as poucas balanças em operação no País funcionam apenas oito horas por dia. "Depois desse período, os caminhoneiros passam do jeito que quiserem", argumenta. Além disso, completa Lopes, a Agência Nacional de Transporte Terrestre (ANTT) não conseguiu entrar num acordo com a Polícia Federal para fazer autuações. "O problema está no repasse dos recursos recolhidos. Cada um quer um valor maior que o outro."

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