FERNANDA LUZ/A TRIBUNA DE SANTOS
FERNANDA LUZ/A TRIBUNA DE SANTOS

Caminhão é incendiado durante protesto de caminhoneiros em Santos

Polícia prendeu sete pessoas após incêndio em veículo, durante a manifestação desta terça-feira que bloqueou o viaduto da Alemoa, na Via Anchieta, impedindo o acesso ao Porto de Santos

O Estado de S. Paulo

24 Fevereiro 2015 | 23h18

Sete pessoas foram presas em Santos, no litoral de São Paulo, durante o protesto dos caminhoneiros que bloqueou o viaduto da Alemoa, na Via Anchieta, impedindo a entrada e a saída dos caminhões que acessam o Porto de Santos. Policiais do 2º Batalhão de Ações Especiais (Baep) foram recrutados pela Polícia Rodoviária para reforçar o policiamento da região, depois que um grupo ateou fogo em um caminhão, por volta das 21h20.

Cerca de dez homens encapuzados teriam ordenado que um motorista deixasse o caminhão que dirigia. Após isso, o grupo ateou fogo no veículo. Os bombeiros foram acionados e controlaram o incêndio. Ninguém ficou ferido, mas o trânsito, que já estava complicado na região desde 11h30, quando teve início o protesto, ficou ainda pior. Apenas por volta das 23h, depois de 12 horas de bloqueio, a Via Anchieta foi inteiramente liberada.

De acordo com o tenente-coronel Carlos Alberto dos Santos, da Polícia Rodoviária, não existe liderança no movimento dos caminhoneiros em Santos e as manifestações não são dirigidas por nenhum sindicato, o que vem complicando ainda mais a situação. No decorrer da tarde, depois de muita negociação com os manifestantes, eles concordaram em autorizar a passagem dos carros de passeio e dos veículos de emergência. 

Para minimizar os congestionamentos, que atingiram cerca de três quilômetros, a Polícia Rodoviária autorizou a utilização dos acostamentos. Muitos trabalhadores do parque industrial de Cubatão, que eram transportados em ônibus no final do expediente, abandonaram os veículos e preferiram caminhar a pé no retorno às residências.

A interrupção de estradas, por conta da greve de caminhoneiros, alcançou 12 Estados do País nesta terça-feira (24). Com os bloqueios, a circulação de motoristas, o funcionamento de fábricas e o fornecimento de alimentos em centros de distribuição e supermercados estão sendo prejudicados. 

Os manifestantes reivindicam redução no preço do diesel, aumento e tabela única para o frete, melhoria nas estradas, mudanças na Lei do Caminhoneiro e isenção de pedágio para os veículos com eixos suspensos. Com o fim das manifestações no Rio, 11 Estados mantiveram interdições durante a noite.

Impactos. Em Minas Gerais, a interdição da rodovia Fernão Dias obrigou a unidade da Fiat a parar a produção por mais de 24 horas. A montadora funciona com linhas de montagem em sequência e foi afetada pelos bloqueios, deixando de receber peças utilizadas na produção. Os funcionários do turno da tarde e da noite de segunda-feira e dos três turnos de foram dispensados.

Até as 23 horas desta terça-feira, a Justiça havia determinado a liberação de rodovias bloqueadas em quatro Estados: Minas Gerais, São Paulo, Bahia e Rio Grande do Sul. Ficou definida ainda multa de R$ 50 mil ao Movimento União Brasil Caminhoneiro (MUBC), apontado como organizador do protesto, e de R$ 5 mil a cada motorista que descumprir a ordem.

No Sul, o movimento dos caminhoneiros afetou a produção de aves e suínos e provocou a falta de produtos nos supermercados do norte e noroeste do Paraná. Pães industrializados, verduras, tomate e leite de saquinho (in natura) desapareceram das redes de supermercados. Faltou alimento também em Santa Catarina.

A JBS - uma das principais empresas produtoras de frangos e suínos - paralisou a produção de oito fábricas no País: quatro localizadas em Santa Catarina, duas no Paraná, uma no Rio Grande do Sul e uma em Mato Grosso do Sul.

O movimento dos caminhoneiros também afetou a colheita de soja em Mato Grosso. O bloqueio deixou os produtores sem combustível para abastecer as colheitadeiras e impediu que os caminhões carregados com soja se deslocassem para os portos de Santos e de Santarém, no Pará. 

(Reportagem de José Maria Tomazela, Zuleide de Barros, Marcelo Portela, Lucas Azevedo, Rene Moreira, Tomás Petersen, Lúcia Morel, Fátima Lessa, Tiago Décimo, Sandro Villar, Marília Assunção, Vinicius Neder, Luiz Guilherme Gerbelli, Anna Carolina Papp, Márcia de Chiara)

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