Marcelo Camargo/Agência Brasil
Marcelo Camargo/Agência Brasil

Caminhoneiros aguardam negociações para decidir sobre 'buzinaço' em Brasília

PM estima que cerca de 100 manifestantes cheguem a Brasília até o fim do dia para o protesto pela redução do preço do diesel; pela tarde, está prevista uma audiência pública na Comissão de Agricultura da Câmara

VICTOR MARTINS, Estadão Conteúdo

03 de março de 2015 | 13h36

A Polícia Militar do Distrito Federal estima que cerca de 100 caminhoneiros cheguem a Brasília até o fim do dia para o protesto pela redução do preço do óleo diesel. Até o momento, cerca de 20 caminhões estão parados no estacionamento do Estádio Nacional de Brasília Mané Garrincha e mais 20 estão na BR-040 em direção ao Distrito Federal. O grupo, no entanto, não deve fazer "buzinaço" na Esplanada dos Ministérios até que as conversas com o governo e com parlamentares estejam encerradas.

Às 16h de hoje deve ocorrer uma audiência pública com os trabalhadores na Comissão de Agricultura da Câmara. Pela manhã, um grupo pequeno foi recebido por deputados na Comissão de Direitos Humanos. O deputado Valdir Colatto (PMDB-SC) disse ao Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, que está tentando uma audiência com o ministro da Secretaria Geral da Presidência da República, Miguel Rossetto, mas até o momento, segundo ele, não houve retorno. "Por enquanto, estamos reunindo as reivindicações dos caminhoneiros para depois defender a pauta deles junto ao governo", disse o deputado. "A principal reivindicação ainda é a redução do preço do óleo diesel", afirmou.

Alceo Tramujos Neto, 41 anos, está com o caminhão parado próximo ao Estádio Mané Garrincha. Residente em Pitanga, no Paraná, dirigiu 1.318 quilômetro até Brasília. "Os deputados vieram aqui pela manhã (acampamento no Estádio) e disseram que vão apresentar uma proposta de redução do imposto do óleo diesel", relatou. Questionado por que o movimento não tem líderes ou um sindicato que o represente, afirmou que não queria ser enganado. "Em outras ocasiões os sindicatos nos traíram. O pessoal do sindicato não é mais caminhoneiro, eles estão há anos fora das estradas", argumentou.

Os caminhoneiros em Brasília disseram ainda que chegaram ao Distrito Federal com apoio da população das suas cidades. "A população está nos apoiando. Em Joaçaba (SC) conseguimos juntar R$ 5 mil para custear o trajeto. Quando viemos de lá para cá, a cidade parou para a nossa carreata. Foi lindo ver aquele povo todo dando apoio", afirmou Gilberto Bandeloff, 48 anos. Segundo ele, na segunda-feira correram boatos de que eles iriam fechar as entradas de Brasília e que, por isso, a polícia iria segurar a entrada de caminhões. "Isso era mentira. Nós temos responsabilidade, não íamos travar isso aqui tudo", disse ao apontar para o Eixo Monumental, uma via com seis faixas e trânsito intenso na capital federal. "Estamos perdendo dinheiro parados, com essas manifestações, mas perdemos mais se a gente trabalhar", afirmou.

A Polícia Militar do Distrito Federal informou que o Batalhão de Trânsito está de prontidão para intervir nas vias de Brasília se for necessário. Tropas de choque também estão preparadas, mas em seus respectivos batalhões, à espera de ordens. "Por enquanto está tudo tranquilo. Nada indica que haverá confusão. Conversamos com muitos caminhoneiros porque não há uma liderança e eles foram unânimes ao garantir que não vieram para bloquear vias ou causar problemas", afirmou o tenente-coronel Evaldo Soares.

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