Nilton Fukuda/Estadão
Nilton Fukuda/Estadão

Caminhoneiros dizem que movimento agora tem força política

Além de queda no preço de outros combustíveis, grevistas agora também reivindicam saída do presidente Temer e pregam ‘intervenção militar’

Pablo Pereira e Renan Cacioli, O Estado de S.Paulo

28 Maio 2018 | 22h41

As medidas anunciadas pelo governo federal para atender às demandas dos caminhoneiros em greve no País não aliviaram a tensão em pontos de bloqueio na Região Metropolitana de São Paulo. Nos bloqueios no ABC e na saída para o Sul do País, na Rodovia Regis Bitencourt, os motoristas diziam que o movimento ganhou força política nesta segunda-feira, 28, defendiam “intervenção militar” e afirmavam que o governo federal terá de cortar em 25% os preços de todos os combustíveis na bomba, além de eliminar o PIS/Cofins.

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No início da noite, o clima era de revolta em pontos da Rodovia Anchieta, no ABC, e na área de Embu das Artes, na ligação do Rodoanel com a Regis Bitencourt. “Desde a noite de sábado, já sabíamos que esse acordo não ia atender a gente”, afirmou o caminhoneiro Alexandre Alencar, do Embu, que tem dois caminhões no protesto. “Isso não resolve nada. Ele tem de cortar 25% em todos os combustíveis na bomba”, afirmou Alencar, diante da barraca de alimentação dos motoristas paralisados na rodovia. Na Regis desde quarta-feira, 23, o motorista José Jari, de São João do Sul (SC), disse que os caminhoneiros vão resistir.

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Anchieta. Na Rodovia Anchieta, em São Bernardo do Campo, também não havia o menor sinal de fim da greve dos caminhoneiros que ocupavam o acostamento e parte do canteiro central na altura dos km 23 ao 25, sentido litoral. “Só vamos sair daqui quando o Temer sair de lá”, avisa Alexandre Alves, de 36 anos, que trabalha com um caminhão de abastecimento de combustível e tem auxiliado na triagem dos alimentos doados por comerciantes locais.

“Não sei se você está sabendo, mas hoje, à meia-noite, os militares vão tomar conta de tudo”, dizia ele, enquanto conversa com a reportagem de dentro da van onde estão estocados os mantimentos.

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A expectativa pela intervenção militar está presente no local, mas não que seja um norte, um desejo coletivo representado por algum núcleo organizado. Na verdade, encontra-se de tudo um pouco pelo asfalto na Anchieta. Desde caminhoneiro que deixou a pauta inicial – a redução no preço do óleo diesel – para reivindicar mudanças políticas maiores até gente que mora nas redondezas e passa por lá para dar algum tipo de apoio ao movimento.

O “Fora Temer” é a única unanimidade presente em cartazes pendurados nas cercas das fábricas que circundam a região e no discurso de quem está envolvido com a greve.

“Agora ele está perdido, não imaginava que o povo ficaria do nosso lado. Isso aqui virou algo maior, as pessoas estão cansadas desse governo. De que adianta resolver a questão do óleo diesel e descontar na gasolina? Eu não sou só caminhoneiro”, afirma Gilson Antônio Benedecti, de 41 anos, sendo dez nas estradas. Com seu veículo parado no acostamento desde o primeiro dia da greve, ele não acredita que os caminhões voltarão a circular tão cedo. “Não enquanto o Temer estiver lá”, aponta.

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Buzinas e desvio. Enquanto a reportagem do Estado esteve no local, presenciou motoristas que passavam e buzinavam em sinal de apoio aos grevistas, incluindo um grupo de motoboys. Um agente da Polícia Federal Rodoviária (PRF) orientava os motoristas que se aproximavam do trecho com cones, desviando o fluxo em alguns momentos para a pista central.

Na altura do km 280 da Regis, as faixas pedindo intervenção militar estão no alto da passarela e no gramado do local que serve de estacionamento para caminhoneiros. Um caminhoneiro que não quis revelar seu nome completo, mas identificou-se como Ademir, reclamava que o prazo de 60 dias estabelecido pelo governo é o problema. “Se o Temer colocasse na lei não os 60 dias, mas seis meses, isso aqui se esvaziava.”

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