Caminhoneiros e empresários criticam protestos

Associações de caminhoneiros e de empresários do setor de transportes são contrários à manifestação liderada pelo Movimento União Brasil Caminhoneiro (MUBC), iniciada na última semana. O protesto é contra a lei que regulamenta a jornada de trabalho dos caminhoneiros.

DAYANNE SOUSA E FERNANDA NUNES, Agencia Estado

31 de julho de 2012 | 17h31

Nesta terça-feira, a Unicam (União Nacional dos Caminhoneiros) - entidade que reúne autônomos e microempresários - divulgou nota à imprensa em que critica a greve. O texto afirma que a nova lei e novas regulamentações da ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) atendem a "pleitos de mais de dez anos" da categoria.

Assim como o MUBC, a Unicam se define como representante dos caminhoneiros autônomos, os que trabalham recebendo comissão. Há ainda outras federações que congregam o mesmo tipo de trabalhadores e que se posicionaram contra a greve. É o caso da Federação dos Caminhoneiros Autônomos dos Estados do RS e SC (Fecam), que reúne sindicatos da região, e da Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (CNTA).

A CNTT (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes), ligada à CUT, também se opôs aos grevistas. A posição é semelhante à da entidade patronal, a NTC&Logística.

Em nota, a CNTT acusou o movimento de não representar os interesses dos trabalhadores, mas dos empresários. Mesmo a entidade patronal defende esse ponto. "Nossa associação reúne donos de empresas e somos contra a greve", diz o presidente da NTC&Logística, Flávio Benatti. "O movimento grevista tem alguns poucos empresários não alinhados, que se recusaram a participar da discussão dos novos regulamentos junto à ANTT".

Benatti ainda afirma que o MUBC tem forçado os caminhoneiros a bloquear rodovias. "Os caminhoneiros estão sendo coagidos". Mais cedo, em entrevista à Agência Estado em Brasília, o presidente da CNTA, Diumar Bueno, disse o mesmo: "A maioria dos caminhoneiros está sendo obrigada a parar nos bloqueios, sob ameaças e agressões".

Impacto na inflação

O desabastecimento de alimentos por conta da greve de caminhoneiros não deve ocasionar aumento de preços. Economistas acreditam que a influência sobre os indicadores de inflação deve ser momentânea, apenas em alguns dias do mês de agosto.

"Parte dos produtos transportados é perecível, têm data para ser entregue. A greve não deverá durar muito tempo. Se acabar na próxima semana, a repercussão na inflação será de poucos dias e deverá ser nula no fechamento do mês", prevê o economista do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV) André Braz.

O prazo para que o abastecimento seja restabelecido, no entanto, deve considerar também o tempo necessário de transporte de um novo carregamento, ressalta o economista da Confederação Nacional do Comércio (CNC) Bruno Fernandes. Como a maioria dos produtos é de hortaliças e legumes, que estragam com facilidade, é provável que a logística tenha que ser reiniciada após o fim da greve. "Ainda assim, não é esperado grande impacto sobre a inflação", afirmou.

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