Caminhoneiros fazem bloqueios em rodovias do RS e RJ

Caminhoneiros autônomos realizaram nesta segunda-feira protestos em quatro trechos de três rodovias do Estado do Rio Grande do Sul. Na Rodovia Presidente Dutra, um protesto da categoria iniciado por volta de 16h de domingo causa lentidão na estrada na região de Barra Mansa, litoral sul fluminense.

TÁSSIA KASTNER, RICARDO VALOTA, MARCELO PORTELA, FELIPE TAU E GHEISA LESSA, Agencia Estado

30 de julho de 2012 | 12h26

No Sul, os protestos atingem as BR-285, em Ijuí e São Sepé; BR-158, em Júlio de Castilhos; e BR-392, em Pelotas. As manifestações causaram interrupção parcial do trânsito no começo da manhã porque, segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF), os caminhoneiros permitiram a circulação de veículos de passeio e bloquearam a estrada apenas para colegas que desejavam seguir trabalhando.

Na Dutra, a manifestação, que começou no km 276, se estende para as cidades de Porto Real e Resende. Na manhã desta segunda-feira, a concessionária CCR NovaDutra registrava 22 quilômetros de fila no sentido Rio e nove quilômetros na direção de São Paulo. No sentido Rio, há bloqueios em Resende, entre os km 302 e 304, e em Porto Real, do km 273 ao km 293. No sentido São Paulo, o bloqueio ocorre na altura de Barra Mansa, entre os km 267 e 276.

Segundo a NovaDutra, uma faixa de rolamento foi liberada em cada sentido pelos caminhoneiros que realizam o bloqueio após muita conversa com policiais rodoviários federais, mas passam pelo local apenas veículos de passeio, alguns ônibus - entre eles os de turismo - e veículos com cargas perecíveis. Agentes da PRF tentavam convencer os manifestantes a desobstruir por completo a via.

As manifestações em todo o País foram convocadas pelo Movimento União Brasil Caminhoneiro (MUBC) na quarta-feira, Dia do Motorista. No Rio Grande do Sul, o MUBC não assume a autoria dos protestos. O bloqueio de rodovias federais no Rio Grande do Sul foi proibido por liminar da Justiça Federal, que estabeleceu multa de R$ 50 mil por hora de rodovia parada.

A greve é um protesto contra regulamentação da profissão que estabelece intervalo de 11 horas de descanso entre jornadas de trabalho, além de paradas de descanso de pelo menos meia hora a cada quatro horas ao volante. Os caminhoneiros autônomos alegam que o descanso obrigatório não é compatível com a profissão de motorista e que nas estradas não há pontos de parada em número suficiente.

A categoria protesta ainda contra os baixos valores dos fretes, a falta de segurança nas estradas, o preço do combustível e dos pedágios, a falta de regulamentação da profissão e de uma série de medidas adotadas pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) que, conforme o presidente do MUBC em Minas, José Acácio Carneiro, "acabaram de vez com a categoria". "O trabalhador paga para rodar. É obrigado a aceitar os fretes baixos, senão não tem dinheiro nem para o diesel", afirmou.

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