Marcos Bezerra/Estadão
Marcos Bezerra/Estadão

Caminhoneiros fazem protestos em seis Estados

Manifestações que pedem a elaboração de uma tabela com preços mínimos para os fretes têm tido, por enquanto, adesão baixa

JOSÉ MARIA TOMAZELA, CORRESPONDENTE, O Estado de S. Paulo

24 Abril 2015 | 09h58

Texto atualizado às 20h30

As manifestações dos caminhoneiros pelo aumento dos preços dos fretes continuaram nesta sexta-feira, 24, em pelo menos seis Estados. À tarde, cerca de 50 motoristas bloquearam uma das pistas da rodovia Fernão Dias, principal ligação de São Paulo com Belo Horizonte, na região de Guarulhos.

A estrada só foi liberada após intervenção da Polícia Rodoviária Federal (PRF) por volta das 17 horas, após quase duas horas de bloqueio. De acordo com a concessionária que administra a rodovia, mesmo com a liberação da passagem para carros e motos, o congestionamento se estendeu do km 84 ao km 89, na pista sentido São Paulo.
 
Após a liberação da pista, caminhoneiros mantinham seus veículos estacionados na beira da rodovia. A PRF e equipes da concessionária orientavam o trânsito. Durante a manhã, segundo boletim da PRF, havia 11 pontos de bloqueio em rodovias de cinco Estados. A situação mais crítica ocorria em Mato Grosso, com oito interdições parciais na BR-163, municípios de Lucas do Rio Verde, Nova Mutum e Guarantã do Norte, na BR-364, em Rondonópolis ( em dois pontos, Diamantino e Alto Garças) e na BR-748, em Sorriso.

No Rio Grande do Sul estava parcialmente bloqueada a BR-472, em Santa Rosa, segundo a PRF. O comando rodoviário da Brigada Militar informou que havia um trecho bloqueado na ERS-155, em Santo Augusto. No Paraná, apenas uma rodovia, a BR-163, em Barracão, tinha bloqueio.

Os protestos chegaram também ao Ceará, com o bloqueio da BR-116 em Tabuleiro do Norte, e a Mato Grosso do Sul, onde houve manifestação na BR-163, em Campo Grande. Novo boletim divulgado às 12 horas informava que o bloqueio do Paraná havia se mudado para o município de Planalto, na mesma rodovia, e que a paralisação na BR-163, em Campo Grande, tinha sido encerrada.

Mobilização maior. O presidente da Associação dos Caminhoneiros do Mato Grosso, Marcos Vieira, aposta num aumento na mobilização nos próximos dias. Segundo ele, há um desagrado com as propostas pouco concretas apresentadas pelo governo federal. Até o final da tarde, não havia informações sobre prejuízos ou desabastecimento causado pelos bloqueios. 

De acordo com Ricardo Tomczyk, da Associação dos Produtores de Soja e Milho (Aprosoja-MT), o escoamento da safra pode ser prejudicado se os bloqueios se prolongarem por vários dias. A entidade já registrou um “esfriamento” nos negócios com grãos após a retomada dos protestos, na última quinta-feira.

O dirigente do Comando Nacional do Transporte (CNT), Ivan Luiz Schmidt, informou que o governo sinalizou com uma nova rodada de negociações com o grupo do movimento. Ele disse que os representantes dos caminhoneiros estiveram em Brasília para buscar apoio de deputados e senadores à principal reivindicação da categoria: uma tabela de preços mínimos para o frete.

Antes da retomada dos protestos, o governo federal havia dito que o tabelamento não pode ser adotado por ser inconstitucional.

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