Denny Cesare
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Caminhoneiros prometem intensificar manifestações

Movimento foi perdendo força após governo instituir multa de R$ 5.746 para os caminhoneiros que bloqueassem rodovias

Victor Martins e José Maria Tomazela, O Estado de S. Paulo

12 de novembro de 2015 | 12h06

Atualizado às 16h56

BRASÍLIA - O Comando Nacional do Transporte (CNT), grupo de caminhoneiros que tem feito bloqueios nas estradas desde a última segunda-feira (09), divulgou nota em sua página no Facebook convocando os motoristas a intensificarem as manifestações em função da negativa do governo em negociar. O texto, acompanhado por um vídeo, diz que as paralisações não acabaram e pede que os manifestantes tragam máquinas agrícolas, além de caminhões, para os pontos de bloqueio.

"Não houve acordo algum com o governo, vamos retomar com toda força, as multas são inconstitucionais", diz o texto. "Temos assessoria jurídica gratuita para quem por ventura for multado. Não se muda a constituição de um dia para outro", afirma o texto. Em outra nota, o grupo classifica a Medida Provisória 699, que aumenta a punição para quem bloquear rodovias, como cruel. Diz ainda que políticos estão gravando vídeos "convocando o povo para a democracia".

Uma das lideranças dos caminhoneiros em greve, Ivar Schmidt, diz que o grupo não abre mão do pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff e afirma que não vai deixar de fazer os bloqueios para abrir um diálogo com o governo federal. Schmidt chegou a Brasília na noite de terça-feira e foi recebido por parlamentares ruralistas. Ele relatou ao Broadcast, serviço de informações em tempo real da Agência Estado, que havia um acordo, ontem, para que a convocação de Cardozo não fosse votada e para que a Medida Provisória 699 fosse revogada. "Foi tentado um acordo com o governo para se iniciar um diálogo em uma reunião que começaria às 9h de hoje, mas o governo, como sempre, trai todo mundo", reclamou.

O caminhoneiro admitiu que a edição da MP, no entanto, fez parte do movimento recuar, mas garantiu que os caminhoneiros vão voltar hoje para as ruas. Segundo ele, a publicação dessas normas mais duras deu a eles o apoio da população. "O movimento não vai acabar. Não temos como continuar a trabalhar. O governo não atendeu nenhuma reivindicação do primeiro movimento", disse. "Não iniciaríamos uma nova greve se eles nos tivessem atendido", afirmou.

A página no Facebook diz que o CNT é apoiado por Irmãos Caminhoneiros do Brasil e pelos deputados Gerônimo Goergen (PP-RS), Jair Bolsonaro (PP-RJ), além dos senadores Cássio Cunha Lima (PSDB-PB), Ronaldo Caiado (DEM-GO) e Álvaro Dias (PSDB-PR) - todos eles de oposição ao governo. Na quarta, um dos líderes do grupo, Ivar Schmidt, esteve reunido com o deputado Bolsonaro no Congresso.

A Comissão de Agricultura da Câmara deu início a uma reunião para convocar os ministros Jaques Wagner (Casa Civil) e José Eduardo Cardozo (Ministro da Justiça) a prestar esclarecimentos sobre as punições que têm sido aplicadas aos manifestantes. Parlamentares do governo tentar impedir a convocação dos ministros.

Bloqueios. A Polícia Rodoviária Federal (PRF) informou que apenas três Estados registram protestos de caminhoneiros nesta quinta-feira. A greve, convocada pelo Comando Nacional do Transporte (CNT) e iniciada na segunda-feira, se esvaziou após a edição da Medida Provisória 699 na quarta-feira, que endurece a punição para caminhoneiros que bloquearem estradas.

Às 14h, o número de protestos nas estradas havia subido de um (às 11h) para três, informa a PRF. Apenas em Colinas do Tocantins (TO) havia interdição total da via. Em Santa Rosa (RS) e Maracaju (MS), o bloqueio era parcial. 

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