Caminhoneiros protestam com violência no RS

Trabalhadores atearam fogo a pneus e quebraram vidros de motoristas que não aderiram à greve

Tássia Kastner, da Agência Estado,

27 de julho de 2012 | 15h02

PORTO ALEGRE - Caminhoneiros voltaram a protestar nesta madrugada, colocando fogo em pneus e quebrando para-brisas de motoristas que não aderiram ao movimento e seguem trabalhando nas estradas no Rio Grande do Sul. Segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF) do Estado, os ataques na madrugada são uma estratégia para fugir da fiscalização e, até agora, nenhum caminhoneiro responsável pelos ataques foi identificado. Ainda segundo a PRF, os protestos ocorreram nas rodovias BR-392 e BR-158, em Santa Maria (região Central do Estado). 

Os caminhoneiros protestam contra a regulamentação da profissão estabelecida pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), que deve limitar a jornada diária de trabalho em oito horas, com paradas de 30 minutos a cada quatro horas na estrada. Também fica estabelecido que os caminhoneiros deverão ter 11 horas de descanso por dia. A regulamentação pretende eliminar as longas jornadas de trabalho, que são consideradas uma das causas de acidentes nas estradas, além do uso de substâncias ilícitas (os chamados rebites) que mantém os motoristas acordados.

A mudança é boa do ponto de vista de melhora das condições de trabalho, mas é considerada um problema para os caminhoneiros autônomos, que projetam remuneração menor. O Movimento União Brasil Caminhoneiro, que é tido como responsável pelos protestos no País, chegou a propor um limite de quilometragem trafegada entre cada parada, cerca de 750 quilômetros, mas a propostas não foi aceita.

Até o meio-dia, não foi registrado bloqueio ou trânsito lento em nenhuma estrada gaúcha em virtude dos protestos. Na terça-feira à noite, a Justiça Federal concedeu liminar instituindo multa de R$ 50 mil ao Movimento União Brasil Caminhoneiro (MUBC) para cada hora de trânsito bloqueado nas rodovias federais no Estado.

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