Caminhoneiros se somam aos protestos na Argentina

Depois dos aposentados e pensionistas, comerciários e desempregados, chegou a vez do caminhoneiros argentinos protestarem contra o congelamento dos depósitos. As principais empresas de transporte estão se organizando em várias regiões da Grande Buenos Aires para seguir até o Congresso Nacional e exigir dos políticos e do governo a pesificação total de suas dívidas e uma maior flexibilização do "corralito".Os principais dirigentes desse setor afirmaram que não têm mais recursos para pagar salários de seus funcionários e que já se encontram "à beira da liquidação das empresas de transporte", que emprega milhares de pessoas. No interior do país, o número de protestos também continua aumentando.O presidente da Associação dos Bancos Argentinos (ABA), Eduardo Escasany, disse, por sua vez, que os bancos "não são os únicos responsáveis pela crise financeira que vive a Argentina?. Depois de um encontro com membros do governo, disse ainda que a administração do presidente Eduardo Duhalde está fazendo o possível, tecnicamente, para resolver o problema dos argentinos que tiveram seu dinheiro congelado nos bancos.Escasany reconheceu também que o sistema financeiro argentino não tem recursos para devolver de uma vez só o dinheiro da população e justificou que em nenhum lugar do mundo isso seria possível. "Os bancos emprestaram parte desse dinheiro, razão pela qual é impossível devolver os depósitos de uma só vez aos argentinos", disse.Escasany afirmou ainda que o sistema financeiro tem grande parte da responsabilidade da crise do país, mas acrescentou que não é o único responsável. "Formamos parte de um todo e não podem afirmar que os problemas da Argentina foram provocados exclusivamente pelos bancos, como tampouco podem afirmar que foram causados pela indústria ou pelos exportadores. Os problemas dos argentinos, são dos argentinos."O presidente da ABA pediu ainda desculpas pelos inconvenientes e contratempos que as pessoas estão tendo nos bancos. Indagado sobre a denúncia de que algumas instituições teriam possibilitado a fuga de depósitos antes do "corralito", Escasany afirmou que isso terá de ser investigado pela Justiça, quem deverá determinar os culpados.Leia o especial

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