Campanha de aérea prega etiqueta em voos

American Airlines lança anúncios em que pede que clientes ajudem a melhorar experiência no ar

THE NEW YORK TIMES

12 Setembro 2016 | 07h39

Uma campanha da American Airlines quer dizer aos passageiros que a tripulação agradeceria muito se os passageiros perguntassem antes de levantar a persiana das janelas do avião. E que eles não monopolizassem os descansos para braços das poltronas. Além disso, a campanha também lembra: os comissários de bordo gostam de ser tratados com polidez.

Lançada na semana passada, a ação é direcionada aos “melhores viajantes do mundo” e tira o foco do que a empresa tem a oferecer, como a velocidade do Wi-Fi a bordo ou as opções do sistema de entretenimento. Em vez de fazer isso, a campanha elogia os viajantes cujas ações – entre eles, ceder o descanso de braço para o passageiro que está no pior assento, o do meio – ajudam a melhorar a experiência de voo. “Os consumidores têm um impacto imenso para nós”, diz Fernand Fernandez, vice-presidente global de marketing da companhia.

Um dos anúncios diz: “Sempre de bom humor, os melhores viajantes sempre aproveitam o máximo de sua situação, não importa onde estejam sentados.”

Em uma era de assentos mais apertados, filas maiores e preços cada vez mais altos, não é garantido que os passageiros serão receptivos à mensagem de que uma viagem agradável esteja mesmo em seu controle.

“Tudo ocorre em função do ambiente que os clientes encontram”, diz Robert Mann, consultor do setor aéreo. “Se você só encontra aviões mais cheios e mais apertados, as pessoas tendem a ter reações ruins de qualquer forma.”

A frustração de voar cresce, segundo Mann, quando há atrasos de voos. Nesses casos, a culpa tende a ser das companhias aéreas, e não de mau tempo, do tráfego aéreo ou de problemas de segurança, segundo dados oficiais dos Estados Unidos.

Ainda que as regras de etiqueta em voo sejam discutidas em websites de forma informal, elas não raramente passam ao largo do viajante eventual. A campanha da American Airlines tenta mudar isso.

“Não são apenas dicas sobre como ser um passageiros ideal. É uma forma de pensar a vida”, diz Ralph Watson, vice-presidente de criação da Crispin Porter & Bogusky Boulder (CP+B), agência da companhia. “Propomos que as pessoas fiquem mais atentas às outras, que sejam um pouco menos egoístas.”

Watson diz que a American Airlines sabia que esse era um terreno perigoso. Uma das decisões foi evitar um tom didático. “Tudo que fazemos é identificar padrões de comportamento. Não dizemos a ninguém: você deveria fazer isso.”

Visualmente, a campanha aposta em espaços abertos e volta a usar o logo azul e vermelho da American. A estratégia de mídia inclui comerciais na TV, anúncios de página inteira em jornais, mídia outdoor e ações em mídias sociais.

Ativações. Em setembro, a American começará a integrar a campanha em suas plataformas de patrocínio e também ao programa de milhagens AAdvantage, além de iniciar uma campanha direcionada aos funcionários.

“Tudo começa com nossos funcionários e com as contribuições que eles dão”, diz Fernandez. “Queríamos realmente mostrar o nosso conceito: “Depende de você” melhorar o humor de todos. O objetivo é iniciar uma nova conversa e realmente concentrar os esforços em criar uma experiência melhor para todos”, frisou o executivo.

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