EFE/Fernando Bizerra Jr.
EFE/Fernando Bizerra Jr.

Campanha de Haddad propõe orçamento plurianual e não contingenciável a investimentos

Intenção é que orçamento atenda demanda por aportes em infraestrutura, defesa, segurança, educação e saúde

Circe Bonatelli, O Estado de S.Paulo

16 de outubro de 2018 | 12h11

O economista Ricardo Carneiro, membro da equipe do presidenciável Fernando Haddad (PT), propôs a criação de um orçamento de investimentos plurianual, não contingenciável, e que fique de fora do cômputo do superávit primário, para atender a demanda de aportes em infraestrutura, habitação, defesa, segurança, educação e saúde. "Serão quatro anos com recursos garantidos, que não poderão ser comprimidos", disse nesta terça-feira, 16, durante debate realizado no Sindicato da Indústria da Construção do Estado de São Paulo (Sinduscon-SP).

Ele disse que vê a possibilidade de elevar o volume nacional de investimentos para o patamar de 3% do Produto Interno Bruto (PIB) nos próximos dois anos e chegar a 6% em quatro anos.

Segundo ele, os aportes abrigariam obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), assim como do Minha Casa Minha Vida (MCMV), e os recursos poderiam vir da concessão de projetos e arrecadação de outorgas, além da impostos gerados pelas próprias obras e prestações de serviços. "Essa questão dará solução permanente ao financiamento da infraestrutura e da habitação de interesse social no Brasil", afirmou.

Carneiro disse ainda que pretende atingir o número de contratações do MCMV em 500 mil unidades por ano, com ênfase na faixa 1, que atende a famílias de baixa renda e que requer subsídios do orçamento da União. O economista estimou que nos próximos anos serão precisos R$ 10,2 bilhões de recursos para esses subsídios. "O governo que ganhar terá a oportunidade de negociar ainda neste ano o orçamento. Há espaço para isso", disse.

Carneiro ainda afirmou que a regra atual de congelamento dos gastos públicos com investimentos e áreas sociais "não é apenas injusta, mas também inviável". "Há um crescimento endógeno da Previdência, e isso vai esmagar o conjunto dos outros gastos. É preciso estabelecer um limite, mas não congelar", disse.

Segundo os organizadores do evento, a equipe do presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) também foi procurada para participar do debate, mas não enviou representantes sob a justificativa de incompatibilidade de agenda.

Notícias relacionadas

    Encontrou algum erro? Entre em contato

    Tendências:

    O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.