Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Campanha publicitária sobre a reforma da Previdência iguala reclamações à ‘revolta da vacina’

Para tentar quebrar aresistência às mudanças na aposentadoria, governo vai intensificar presença na mídia

Carla Araújo e Tânia Monteiro, O Estado de S.Paulo

18 de abril de 2017 | 22h42

BRASÍLIA - Em uma nova ofensiva de comunicação para tentar convencer a população da necessidade da reforma da Previdência, o governo federal apresentou nesta terça-feira, 18, duas novas peças publicitárias, na qual o mote é tentar mostrar que é preciso quebrar resistência em relação às mudanças. Nas peças, que começaram a ser veiculadas nas redes sociais e também na televisão, a reforma é comparada a outras medidas, como o uso obrigatório do cinto de segurança, vacinas e a privatização da telefonia.

“Tudo que é novo assusta, quando surgiu a vacinação teve até revolta. Hoje, não dá para viver sem. Foi assim com o cinto de segurança obrigatório. E quantas vidas ele já salvou?”, diz o locutor de uma das peças. “Na hora de privatizar a telefonia, muitos foram contra. Hoje, todo brasileiro tem celular”, completa. A peça destaca ainda o Plano Real, e diz que, quando a “novidade” foi a nova moeda criada pelo então ministro da Fazenda Fernando Henrique Cardoso, que depois chegou à presidência, “não faltou gente pra dizer ‘não vai dar certo’. E deu.”

Ameaça. Uma das peças diz ainda que, sem a reforma, o País pode falir. “Muitos questionam, mas sem ela o Brasil pode quebrar”, diz o locutor, com imagens de frases e perguntas em veículos de comunicação, como “Essa reforma por acaso ataca os direitos do povo”; “trabalhadores foram saqueados”; “coisa de governo incompetente”, “retrocesso nos direitos sociais”.

Com imagens que mostram calendários com os anos de 1996, 2003 e 2017, o locutor da peça diz que “outros governos tentaram resolver, mas não conseguiram”. “E quanto mais tempo demorar pior vai ficar.”

Além da nova campanha, o governo também está focado em alinhar o discurso, principalmente do relator da reforma da Previdência, Arthur Maia (PPS-BA). Ontem à noite, Maia teve uma reunião com o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Moreira Franco, que é o responsável pela comunicação do governo federal, e com um grupo de publicitários. Uma fonte, que participou do encontro, afirmou que, após a leitura do relatório, o governo precisa falar a mesma língua e Oliveira Maia precisa ter uma comunicação “clara e eficiente”.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.