Campanhas afetam ações da Souza Cruz

O cerco do governo contra o cigarro e as ações na Justiça movidas por ex-fumantes formaram um conjunto de notícias ruins que estão levando à desvalorização das ações da companhia Souza Cruz. Neste ano, os papéis da empresa acumulam uma queda de aproximadamente 32%, frente a uma alta de 2,25%% do Índice Bovespa. Alguns analistas de mercado estão reduzindo suas recomendações - de compra para manutenção das ações que já estão em carteira -, em função de um cenário negativo. No entanto, é unânime entre estes especialistas a opinião de que os dividendos pagos pela companhia são atraentes. A empresa obteve um lucro líquido de R$ 233,943 milhões para um faturamento líquido de R$ 969,642 milhões, no primeiro semestre deste ano.Opiniões divididas no mercadoPara Basílio Ramalho, analista do Unibanco, as várias ações movidas na Justiça por ex-fumantes e pelo Ministério Público Federal trazem um conjunto de incertezas para as atividades da empresa. Na opinião da analista do Santander Investment, Daniela Bratthauer, não há perspectivas de crescimento no volume de cigarros vendidos e nem de aumento nos preços desses produtos. Além disso, ela comentou que o preço internacional do fumo caiu em média 6%, prejudicando a exportação como uma via de expansão.A analista Clarissa Saldanha, do banco Brascan, sustentou sua recomendação de compra das ações da Souza Cruz com o argumento de que o mercado informal representa um espaço para ser conquistado, a companhia pode ter uma oportunidade de crescimento. Hoje, os produtos que estão na ilegalidade absorvem cerca de 33% das vendas e prejudicam os resultados da Souza Cruz. Nas projeções da analista do Brascan, os papéis oferecem uma oportunidade de rentabilidade de 63,56%. Ela avaliou que um preço justo para as ações é R$ 15,13, frente a cotação atual de R$ 9,25.Outro ponto sensível destacado por Daniela é a possibilidade de que o governo volte atrás com relação à redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), anunciada em junho do ano passado. Segundo ela, essa questão é muito importante, pois a diminuição da incidência do IPI elevou as margens da empresa de 18% para 25%. Analista diz que restrições são favoráveis à empresaO analista Guilherme Pantano, da Fator Doria Atherino Corretora, mantém sua recomendação de compra para os papéis da empresa. Ele apontou um fator positivo gerado pelas restrições à propaganda de cigarros. Nas perspectivas de Pantano, mesmo sendo uma notícia negativa para o setor, ela é positiva para a Souza Cruz no comparativo às demais empresas. Para ele, isso pode permitir a consolidação da companhia à medida que impede as empresas com menor fatia de mercado de crescer por meio da propaganda. Além disso, o analista frisou que nos países onde esta medida foi implantada não houve queda no mercado consumidor, e sim estagnação. Como saída para esse possível cenário, Pantano citou dois aspectos como possíveis geradores de crescimento: o menor índice de consumo per capita de cigarros frente ao mercado americano e europeu e também o mercado informal.

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