Agência Petrobrás
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Campo de Lula rende 26,5% menos

Queda nas cotações do petróleo no mercado internacional afetam diretamente a rentabilidade do principal projeto da Petrobrás no pré-sal

Fernanda Nunes e Antonio Pita / Rio, O Estado de S.Paulo

25 de outubro de 2015 | 03h00

A queda nos preços do petróleo já afeta diretamente os projetos da Petrobrás no pré-sal. O campo de Lula, no pré-sal da Bacia de Santos, bateu recorde de produção em agosto e hoje é a principal reserva a contribuir com o resultado da estatal. Por causa da crise internacional no setor, no entanto, a Petrobrás ganha 26,5% menos com o campo do que ganhava há um ano, quando a commodity estava mais valorizada.

 Se comparado a janeiro do ano passado, quando o preço do petróleo estava no auge da cotação, a queda de rentabilidade é ainda maior, de 33,1%. A conta é feita com dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). A agência estabelece preços de referência para o petróleo de cada campo produtor, a partir dos quais calcula o quanto cada empresa deve pagar em royalties.

O campo de Lula responde atualmente por 44% de toda produção no pré-sal e também pelo maior volume de gás natural produzido em todo País, com uma média de 16,6 milhões de m³ por dia. A extração é feita da plataforma Cidade de Mangaratiba, que iniciou produção em outubro do ano passo. O campo de Lula tem a Petrobrás à frente, como operadora e dona de 65% do projeto, ao lado da BG (25%) e da Petrogal (10%).

Arrecadações menores. Na esteira da crise financeira da Petrobrás, sofrem também os cofres de governos de Estados e municípios que têm o petróleo como principal fonte de geração de receita. A revisão dos preços pela Agência Nacional do Petróleo para o cálculo dos royalties implica na queda de orçamentos públicos.

Estudo elaborado pelo Grupo de Economia da Energia da UFRJ demonstra que um dos Estados mais afetados pela redução da arrecadação de royalties é o Rio de Janeiro. Dos 92 municípios fluminenses, 87 recebem algum recurso proveniente dos royalties do petróleo. “Paralelamente à queda da arrecadação de royalties nos últimos 16 meses, proveniente da redução da cotação do barril no mercado internacional, as cidades do interior do Rio de Janeiro passaram a enfrentar um cenário de revisão de contratos e aumento do desemprego em função da redução do ritmo de investimento na indústria de petróleo da região”, aponta o estudo.

Apesar da ajuda do câmbio, também considerado no cálculo dos royalties, e do aumento da produção de petróleo pela Petrobrás, a arrecadação dos governos está em queda livre por conta da desvalorização do petróleo. Segundo o estudo, em agosto deste ano, por causa da piora de cenário na indústria petroleira, o repasse das petroleiras aos governos estaduais e às prefeituras foi de R$ 1,21 bilhão, 24% menos do que em igual mês de 2014.

 

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