Dida Sampaio/Estadão - 24/2/2021
Dida Sampaio/Estadão - 24/2/2021

Campos Neto: Agenda verde afeta política monetária e estabilidade financeira

Em vídeo apresentado em evento da COP-26, o presidente do Banco Central afirmou que o tema ganhou importância com a pandemia 

Célia Froufe, O Estado de S.Paulo

10 de novembro de 2021 | 08h02

BRASÍLIA - O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, defendeu o acompanhamento de perto das questões ligadas à sustentabilidade pelas autoridades monetárias em todo o mundo. “Ter uma agenda de sustentabilidade é importante porque esse é um tema que afeta os dois mandatos principais dos bancos centrais: a política monetária e estabilidade financeira”, afirmou, na mesma linha em que já havia falado a diretora de Assuntos internacionais do BC, Fernanda Guardado.

Campos Neto fez a afirmação durante o evento “Divulgações obrigatórias de risco climático do setor privado - abordagens para construir mercados de capital resilientes ao clima” nesta quarta-feira, 10. O evento é promovido pelo Conselho de Divulgação dos Padrões do Clima (CDSB, na sigla em inglês) e pelo Ministério de Relações Exteriores e Comércio da Nova Zelândia, e faz parte da Conferência do Clima, a COP-26, que acontece em Glasgow. Sua participação foi por meio de um vídeo gravado. Havia a previsão de que o presidente do BC brasileiro fosse à Escócia, mas ele sofreu uma lesão em função de uma prática de esporte e decidiu ficar em recuperação no Brasil.

A proposta durante o evento foi apresentar as experiências mais relevantes do País na área ambiental. “Esse é um tema que tem ganhado mais importância depois da pandemia”, enfatizou, acrescentando que o BC tem procurado responder à evolução da demanda da sociedade nesse sentido. Na outra ponta, ele ressaltou que o Banco Central tem feito consultas públicas para receber a contribuição da sociedade nesses temas.

Campos Neto salientou que os riscos físicos e de transição representam desafios significativos daqui para frente. Segundo ele, o sistema financeiro está intimamente ligado a esses riscos e, por isso, cabe ao BC monitorá-los. O presidente do BC mencionou as várias regulações ligadas a fatores ambientais feitas pela autoridade monetária na última década. Segundo ele, foram “muitas ações, iniciativas, políticas, parcerias, e medidas de supervisão e caráter regulatório”.

O presidente do BC explicou no vídeo que, na divulgação de riscos ESG (ambiental, social e de governança), a autarquia tem dado o tempo necessário para os agentes se adaptarem às novas exigências e, por isso, vai solicitar às instituições financeiras primeiro informações qualitativas e, numa segunda fase, informações quantitativas.

Para Campos Neto, as questões climáticas também devem ser vistas como uma oportunidade pelo setor financeiro. Enfatizou, no entanto, que o BC seguirá de perto esse interesse para supervisionar e regular o setor sempre que necessário. “Até agora, o feedback das instituições afetadas pela regulação é positivo”, afirmou, completando que uma das preocupações da autoridade monetária é estar em linha com as melhores práticas internacionais.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.