FOTO DIDA SAMPAIO / ESTADÃO
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Campos Neto diz que Bolsonaro vai enviar projeto de autonomia do BC ao Congresso

Presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, também ressaltou que a missão da instituição 'não é atingir crescimento, mas sim inflação'

Ricardo Leopoldo, correspondente, O Estado de S.Paulo

10 de abril de 2019 | 12h16

NOVA YORK - O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, disse que soube nesta quarta-feira, 10, que o presidente Jair Bolsonaro vai enviar para o Congresso o projeto de independência da instituição. Em evento com investidores para discutir os 100 primeiros dias do governo, o dirigente ressaltou que a missão do BC "não é atingir crescimento, mas sim inflação".

"O principal trabalho do BC é manter a inflação baixa e expectativas ancoradas", disse ele. "Queremos ser muito transparentes no BC", completou.

Campos Neto reafirmou que o BC não tem meta para o câmbio. "Queremos que o mercado de câmbio funcione normalmente", disse ele. "Nosso cenário considera que as reformas fiscais serão aprovadas pelo Congresso", disse ao falar da agenda do governo.

Reservas cambiais

Campos Neto foi questionado por investidores em evento em Nova York sobre a utilização das reservas internacionais do Brasil caso as reformas sejam aprovadas e entrem mais recursos do exterior no País. O dirigente disse que o custo de carregamento das reservas é baixo, mas com a as reformas aprovadas, "levaremos em consideração".

Ele reforçou que os custos das reservas cambiais nos últimos 10 anos "foram zero" e elas são "um seguro muito bom".

Moeda forte

O presidente do BC defendeu a agenda de reformas e afirmou que, com elas e crescimento da economia, o real será uma moeda forte. "O objetivo é ter real completamente conversível no futuro, o que reduzirá custos de operações", afirmou.

No evento, Campos Neto disse que sua 'maior surpresa" desde que assumiu o comando do BC foi que "ninguém falava de segurança cibernética". "Há riscos de nuvem e de acesso irregular a contas particulares", afirmou ele.

O presidente do BC disse ainda que a solução para pagamentos instantâneos está "próxima de ocorrer" e que em duas semanas o BC exibir as primeiras ideais para o sistema de open banking.

"Não somos contra subsídios, mas somos contra não serem transparentes", disse ele aos investidores. Campos Neto destacou ainda que os custos das reservas cambiais nos últimos 10 anos foram zero e estas reservas são "seguro muito bom".

Elogios ao antecessor

No evento, Campos Neto elogiou o presidente anterior do BC, Ilan Goldfajn: "foi um dos melhores presidentes do BC que o Brasil teve ultimamente". O atual dirigente da autoridade monetária disse que Ilan avançou a agenda BC+, que tem como objetivo a melhora da eficiência do sistema financeiro e a redução do 'spread' de crédito. "A agenda BC+ focaliza inclusão, competitividade e educação financeira", afirmou.

"Há melhora do canal de crédito e consumo no Brasil", disse Campos Neto, destacando que o BC projeta expansão de 2,0% no Produto Interno Bruto (PIB) neste ano no Brasil, mas frisou que existem previsões de mercado um pouco menores.

"Precisamos democratizar os mercados e incentivamos microcrédito", disse o presidente do BC, destacando que o microcrédito gera muitos empregos e é muito importante para elevar educação financeira. "Empregos e educação financeira resultam em aumento de poupança." Segundo ele, a média de concessão de microcrédito no Brasil é de R$ 400,00.

Grupo de conversas

Roberto Campos Neto anunciou a intenção de criar um grupo na instituição para conversar com investidores internacionais. "Temos grupo para lidar com agências de rating, mas não com investidores", disse aos investidores no evento, que tem como objetivo avaliar os primeiros 100 dias do governo de Jair Bolsonaro.

"Queremos tratar capital estrangeiro da mesma forma que capital doméstico", disse ele. Campos Neto ressaltou que a velocidade de recuperação da economia brasileira está abaixo do esperado. "O Brasil tem gradual processo de recuperação, mas não é o esperado", disse ele no evento. Em sua palestra, o executivo observou que o BC projeta crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2,0% este ano, mas reconheceu que existem previsões de mercado um "pouco menores". "O crescimento no quarto trimestre foi mais baixo que esperado"

"Vamos continuar a manter a inflação baixa", disse Campos Neto. O dirigente destacou ainda que o objetivo do BC é "democratizar o sistema financeiro".

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