Antonio Cruz/Agência Brasil - 20/2/2020
Antonio Cruz/Agência Brasil - 20/2/2020

Campos Neto diz que incerteza internacional está maior, mas ruído interno afeta projeção de inflação

Para o presidente do Banco Central, quando o governo explicar como será pago o novo programa social, chamado de Auxílio Brasil, "tudo ficará mais claro"

Eduardo Rodrigues e Thaís Barcellos, O Estado de S.Paulo

19 de agosto de 2021 | 14h05

BRASÍLIA e SÃO PAULO - O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, avaliou nesta quinta-feira, 19, que as incertezas internacionais estão maiores, mas reconheceu que os ruídos internos têm tido grande peso em ampliar as expectativas do mercado para a inflação de 2022. “Há um aumento do ruído da parte institucional de como o Brasil funciona, a briga entre os Poderes. Ultimamente há outra dimensão desse ruído, relacionada a novos projetos enviados pelo governo ao Congresso, como o novo Bolsa Família, que o mercado tem associado com as eleições do próximo ano”, afirmou, em webinar promovido pelo Council of the Americas.

Para Campos Neto, quando o governo explicar o novo programa social - Auxílio Brasil - funcionará e como ele será pago, essa incerteza no mercado deve se reduzir. “Tão logo o governo deixe claro que o novo programa social não irá quebrar a lei de responsabilidade fiscal, tudo ficará claro. Entendo o ruído que está ocorrendo, e entendo que o governo precisa passar uma mensagem muito responsável de como o caminho fiscal continuará a partir daqui”, acrescentou.  

O presidente do BC destacou que é importante entender como o fiscal afeta a inflação no momento atual e ao longo do tempo. “Há alguns meses estávamos falando em uma relação dívida/PIB de 94%, 95% a 100%. Agora estamos falando que a dívida/PIB ficará mais próxima de 80%, em um patamar muito melhor. E de um déficit fiscal de 1,7% do PIB neste ano, teremos algo entre zero e 0,5% em 2022, também muito melhor. E ainda assim, o ruído fiscal está predominando”, completou.

Segundo Campos Neto, a inflação de serviços surpreendeu recentemente. “Estamos olhando a inflação de serviços com bastante atenção. Estamos começando a ver atividade maior e como isso impacta os preços. Tivemos surpresa na inflação de serviços recentemente.” Ele citou que, com a reabertura da economia, as pessoas estão voltando a consumir serviços, revertendo o fenômeno na pandemia de substituição de consumo de serviços por bens.

De acordo com ele, há grande volatilidade nas expectativas de inflação de 2021 e que o Brasil tem uma “história adicional”, porque depois do choque de alimentos tivemos o choque de energia, devido à crise climática e já que a maior parte do fornecimento de energia vem de hidrelétricas. “Tivemos primeira onda de surpresa em alimentos, e segunda em eletricidade”, completou dizendo que isso contaminou um pouco o núcleo de inflação.

O presidente do BC ainda voltou a chamar atenção para a “inflação verde”, ligada à modificação na economia para um formato de produção mais sustentável. Nesse contexto, a inflação de metais segue em alta em vários países. “Quando vemos países reduzindo a produção de mineração para ter produção mais sustentável  em lugares como Chile e China, é importante dizer que isso é importante para a perspectiva de inflação.”

Ele repetiu que acredita que o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) está refletindo melhor a situação do mercado de trabalho, com a recuperação de vagas formais, do que a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), do IBGE. “Mas é importante olhar para isso para ver se os empregos informais vão voltar com a reabertura da economia.”  

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