Gabriela Bilo/Estadão
Gabriela Bilo/Estadão

Campos Neto é eleito melhor banqueiro central de 2020 pela Banker

Presidente do BC do Brasil foi premiado na categoria Global e Américas; uma das justificativas dos julgadores foi a forma como ele lidou com a economia na crise do coronavírus

Maria Regina Silva, O Estado de S.Paulo

03 de janeiro de 2021 | 11h02

O presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, foi eleito o presidente de Banco Central do ano pela revista britânica The Banker, especializada em finanças. O prêmio Central Banker of the Year, em sua sétima edição, homenageia os funcionários que mais conseguiram estimular o crescimento e estabilizar sua economia.

Campos Neto foi premiado na categoria Global e Américas. A publicação cita que poucos países foram afetados pela pandemia do novo coronavírus da mesma forma que o Brasil.

"Parabéns ao melhor presidente de Banco Central do mundo! Roberto Campos Neto é craque, está revolucionando o sistema financeiro. Não apenas nossa reação de política monetária foi exemplar, a agenda PIX, contas digitais, e Open Banking é estrutural", escreveu em redes sociais nesta manhã Adolfo Sachsida, secretário de Política Econômica do Ministério da Economia.

Conforme Rogério Marinho, ministro do Desenvolvimento Regional,  o reconhecimento internacional ao "trabalho de excelência" de Campos Neto é a ratificação do excepcional trabalho de um dos melhores economistas do mundo que brilha na equipe do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). "2021 ano da retomada", acrescento ele, também em redes sociais.

Categoria Global e Américas

A revista, do Financial Times, cita que poucos países foram afetados pela pandemia do novo coronavírus da mesma forma que o Brasil. Em meados de dezembro, cita, o número de mortes relacionadas à covid-19 no País ainda era o segundo maior do mundo, depois dos Estados Unidos.

A The Banker pondera que enquanto no início de 2020 as expectativas eram que a maior economia da América Latina teria contração de 9%, as projeções foram sendo revisadas "drasticamente" e chegou ao final do ano projetada em metade disso. Menciona que a estimativa do Fundo Monetário Internacional (FMI) para o Produto Interno Bruto (PIB) passou de recuo de 9,1% para 5,8% em 2020, enquanto alguns analistas acreditam que a contração será inferior a 4,5%.

Conforme a publicação, muito desse cenário "promissor" se deve ao trabalho do Banco Central do Brasil. Segundo a revista, a instituição monetária respondeu à crise tomando medidas sem precedentes e eficazes para garantir que a liquidez não secasse no sistema financeiro. Destaca ainda que o BC tomou outras medidas específicas para que as empresas, em particular as pequenas empresas, pudessem continuar a operar.

No geral, acrescenta a publicação, o programa de liquidez do BC brasileiro representou impressionantes 17,5% do PIB, e foi acoplado a outras medidas que liberaram capital das instituições financeiras que, segundo o banco, tinham potencial para aumentar o crédito pelo equivalente a até 20% do PIB.

Cita ainda que obteve autorização temporária do Congresso para comprar e vender ativos privados para aumentar ainda mais a liquidez do sistema financeiro, que acabou apoiando também o mercado de títulos em moeda local.

É a segunda vez que um presidente do Banco Central do País conquista o prêmio. Antes de Campos Neto, o agraciado foi Ilan Goldfajn, em 2018, por sua atuação no combate à inflação em 2017.

Perfil

Campos Neto é graduado em economia, com especialização em finanças pela Universidade da Califórnia, tem um perfil liberal e acredita em medidas que limitem o tamanho do Estado na Economia.

Executivo do mercado financeiro, atuou por 18 anos no Banco Santander. É neto de Roberto Campos, ministro do Planejamento do governo de Castelo Branco (1964-1967).

Além do Santander, Campos Neto atuou no Banco Bozano Simonsen. Em novembro de 2018 foi indicado pelo então presidente eleito Jair Bolsonaro para o lugar de Ilan Goldfajn na presidência do Banco Central.

 

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