Campos vendidos à OGX não eram prioritários, diz Petrobrás

Gerente-geral da Unidade de Negócios na Bacia de Santos explica motivo da venda da participação da estatal na concessão

ANDRÉ MAGNABOSCO, O Estado de S.Paulo

28 de novembro de 2012 | 02h03

O gerente-geral da Unidade de Negócios da Petrobrás na Bacia de Santos, José Luiz Marcusso, explicou ontem que os campos de Atlanta e Oliva, negociados com a OGX, não eram considerados prioritários no atual plano de negócios da estatal. O acordo entre as empresas prevê o pagamento de US$ 270 milhões pela participação de 40% da Petrobrás na concessão BS-4, situada na Bacia de Santos e que inclui os dois campos.

"O Plano de Negócios da Petrobrás prevê a necessidade de desinvestirmos em algumas áreas. E Atlanta e Oliva ainda não era uma área considerada prioritária, por isso a operação foi feita", disse Marcusso.

A Petrobrás prevê desinvestir um total de US$ 14,8 bilhões no plano 2012-2016. O montante, porém, não será captado apenas com a venda de ativos. A companhia já negociou com a Eletrobrás, por meio de controladas, o pagamento de R$ 1,7 bilhão em dívidas do setor elétrico. Também acertou com o Petros, fundo de pensão atrelado à própria Petrobrás, a troca de garantias por estoque de petróleo. A operação "libera" R$ 5,8 bilhões em recursos no caixa. Essas operações são necessárias para que a estatal viabilize o plano de investir US$ 236,5 bilhões até 2016.

Preocupação. Analistas preveem que o negócio com a Petrobrás pode ser benéfico para a OGX no futuro, mas o valor pago e o momento da transação não foram considerados positivos. Os analistas se mostram preocupados com o balanço da empresa nos próximos anos.

A Queiroz Galvão Exploração e Produção permanece como operadora da concessão, com participação de 30%, e a Barra Energia também mantém a sua participação de 30%. Essa é a primeira venda de um ativo da Petrobrás no âmbito do seu programa de desinvestimentos.

Em relatório, o BES Securities avalia que o preço pago, de US$ 1,7 a US$ 2,1 por barril, é um bom preço para uma área que já tem plano de desenvolvimento e é susceptível de fornecer retornos positivos à OGX.

O documento, assinado pelo analista Oswaldo Telles, ressalta, no entanto, que a notícia é negativa no curto prazo, pois aumenta os desafios financeiros da empresa, embora agregue valor à companhia. / COLABOROU BETH MOREIRA

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