Cana-de-açúcar supera hidrelétricas na matriz energética

Aumento da participação da cana na geração de energia resultou do crescimento do consumo de etanol

Alaor Barbosa, da Agência Estado,

08 de maio de 2008 | 15h43

A cana-de-açúcar ultrapassou as hidrelétricas na matriz energética brasileira em 2007, só ficando abaixo do petróleo e derivados. A informação foi divulgada nesta quinta-feira, 8, pelo presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim, em entrevista à imprensa, quando apresentou os dados preliminares referentes ao consumo de energia no ano passado.  Os dados do Balanço Energética Nacional (BEN) englobam todas as atividades, incluindo os transportes, o consumo industrial e a geração elétrica. O aumento da participação da cana na matriz energética resultou, principalmente, do crescimento do consumo de álcool/etanol no sistema de transportes. Segundo a EPE, o petróleo e seus derivados continuam sendo a principal fonte de geração de energia no País, especialmente devido ao sistema de transportes. Essa participação era de 37,8% do total de energia consumida no País em 2006 e caiu para 36,7% no ano passado. Já os produtos de cana-de-açúcar (bagaço e etanol) ampliaram a participação de 14,5% em 2006 para 16,0% no ano passado. As hidrelétricas, por sua vez, reduziram a participação de 14,8% para 14,7% no total. A participação da lenha e carvão vegetal ainda é relevante, mas registrou queda de 12,7% em 2006 para 12,5% em 2007, segundo a EPE. O gás natural também perdeu importância relativa (caiu de 9,6% para 9,3%), enquanto o carvão mineral ampliou a presença de 6,0% para 6,2%. Já o urânio viu a sua participação cair de 1,6% para 1,4%, enquanto "outras renováveis" ampliaram a presença de 2,9% para 3,1%. Tolmasquim acentuou que o aumento na participação da cana-de-açúcar na matriz energética é "uma boa notícia", já que isso indica um aumento no grupo das energias renováveis. "O Brasil é um dos países com maior participação de energia renovável em todo o mundo", destacou. Na média mundial, as energias renováveis representam cerca de 12,7% do consumo mundial, sendo que nos países ricos (integrantes da OCDE) essa participação chega a 6,2%. "No Brasil, a participação era de 44,9% e subiu para 46,4%, o que indica uma das melhores relações no mundo", complementou. Segundo a EPE, a oferta de energia no País em 2007 atingiu 239,4 milhões de toneladas equivalentes de petróleo (TEP), o que corresponde a uma variação de 5,9% em relação ao observado em 2006. O aumento ficou apenas ligeiramente acima dos 5,4% da variação do Produto Interno Bruto (PIB) o que, na avaliação de Tolmasquim, indica que o País está mais eficiente no uso de energia. "Para produzir uma mesma quantidade de produto, o Brasil está consumindo menos energia", explicou.

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