Canadá investiga Vale por morte de mineiros

Condições de trabalho nas minas subterrâneas exploradas pela mineradora brasileira no país podem ser responsáveis por acidentes de trabalho fatais

SERGIO TORRES / RIO, O Estado de S.Paulo

19 de abril de 2012 | 03h05

O governo e a polícia do Canadá investigam as condições de trabalho nas minas subterrâneas exploradas no país pela companhia brasileira Vale. Quatro mineiros morreram em serviço de junho de 2011 a janeiro deste ano. Os acidentes de trabalho ocorreram no interior das minas da Vale.

A série de mortes levou o governo, pelo Ministério do Trabalho, e as autoridades policiais das Províncias de Terra Nova e Labrador e Ontário a abrir investigações. O mineiro Miles Sullivan, dirigente do United Steelworkers (USW), sindicato de trabalhadores no Canadá e nos Estados Unidos, disse ontem no Rio que a Vale sabia das condições inseguras de trabalho nas minas e não providenciou melhorias.

Em nota, a Vale se manifestou sobre o assunto. "Em relação às questões abordadas pelo USW, é de conhecimento público que vivenciamos greves (...), mas entendemos que essas disputas ficaram para trás. Estamos 100% focados nos nossos planos de crescimento e investimentos no Canadá, os quais certamente terão um impacto positivo na economia e vão gerar boas oportunidades para todos os trabalhadores nas diversas operações canadenses. Infelizmente, tivemos fatalidades e estamos fazendo um enorme esforço para evitá-las, adotando medidas que priorizem a saúde e a segurança de todos", diz o comunicado.

Sullivan participou ontem de protesto contra a Vale, em frente à sede da empresa, no centro do Rio, com cerca de 80 ambientalistas, sindicalistas e moradores de regiões em que a mineradora atua. Os manifestantes apontaram a principal empresa de mineração do País e a primeira no mundo em extração de minério de ferro como violadora dos direitos humanos e trabalhistas e habitual praticante de crimes ambientais.

Ao final do protesto, jatos de tinta vermelha foram jogados na calçada diante do portão principal. Seguranças despejaram areia sobre a tinta e cercaram com cavaletes e faixas a área atingida. Não houve confronto.

As primeiras mortes nas minas canadenses da Vale ocorreram em junho do ano passado. Os profissionais Jason Chenier, de 37 anos, e Jordan Fram, de 26, foram soterrados por uma mistura de minério e água. Um relatório preparado pelo USW sustenta que a Vale sabia dos riscos na mina e os negligenciou.

Em 19 de outubro de 2011, após 12 dias hospitalizado, morreu o mineiro Greg Leason, de 51 anos. A morte decorreu dos ferimentos graves sofridos quando a máquina que operava numa mina subterrânea despencou em um abismo de 45 metros. Em 29 de janeiro, o mineiro Stephen Perry, 47 anos, morreu soterrado por toneladas de rochas. Por prevenção, a Vale chegou a interditar as cinco minas subterrâneas que explora na região.

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