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Canadense aposta em gás de xisto no País

Exploração de gás não convencional será o foco da empresa Gran Tierra na 12ª rodada de licitação da ANP, prevista para quinta-feira

SABRINA VALLE / RIO, O Estado de S.Paulo

24 de novembro de 2013 | 02h13

A canadense Gran Tierra é uma das poucas empresas que já se aventuraram na exploração de gás não convencional no País. Apesar de ainda não ter resultados conclusivos em seus poços, a área será o foco da empresa na 12.ª rodada de licitação da Agência Nacional do Petróleo (ANP), que na próxima quinta-feira oferta 240 blocos de exploração em terra, a maioria com potencial para gás.

O presidente da empresa, Júlio César Moreira, diz ter a seu favor uma boa dose de otimismo para apostar em gás ou óleo de folhelho ou xisto (shale gas e shale oil), mesmo diante de muitas incertezas regulatórias e ambientais. "Não há ainda no Brasil um marco regulatório ou um contrato de concessão adequados, o que pode ser motivo de preocupação e até desistência para algumas empresas."

Os riscos ambientais e regulatórios dos recursos de petróleo e gás não convencionais foram alvo de fortes críticas na semana passada, durante audiência pública na ANP. Entidades ambientais, órgãos sindicais e até representantes do governo alertaram para a possibilidade de contaminação do lençol freático e protestaram contra a realização de um leilão sem uma regulamentação específica para o óleo e gás de folhelho.

A ANP alega que a legislação atual já contempla recursos não convencionais de forma genérica e ainda levará sete ou oito anos até que empresas comecem a entrar na fase crítica e arriscada da exploração não convencional - que, grosso modo, difere do convencional por utilizar fraturamento hidráulico de solo depois da perfuração, liberando os recursos da rocha. Até lá, diz a ANP, há tempo para regular a área.

A Gran Tierra é um caso à parte, pois adquiriu blocos licitados em rodadas passadas pelo modelo comum, mas encontrou formações não convencionais de petróleo (tight oil). A empresa fez nelas quatro perfurações de poços até agora, duas seguidas por multifraturamento hidráulico na direção horizontal. Os outros dois fraturamentos estão previstos para até o fim do ano.

Os resultados ainda são inconclusivos, mas a empresa vê potencial, especialmente na Bacia do Recôncavo, onde já concentra sua atuação. Moreira diz que a Gran Tierra tende a manter a linha de operação independente, sem parcerias.

Moreira também diz que faltam fornecedores de equipamentos adequados para o fraturamento hidráulico, ou mão de obra qualificada, um desafio a mais para esse tipo de recurso.

A empresa tem sede no Canadá, mas não tem instalações naquele país. Atua na Argentina, Colômbia e Peru. No Brasil, chegou em 2009 e hoje tem sete blocos em operação. Engordou seu portfólio neste ano na 11.ª rodada, quando adquiriu três blocos (REC-T-86, 117 e 118), por cerca de US$ 16,5 milhões de bônus de assinatura.

Esse leilão também dará, pela primeira vez em cinco anos, oportunidade a pequenos produtores que, sem rodadas, estavam ameaçados de extinção. São as chamadas bacias maduras, que já produziram volumes maiores e podem ser repassadas a produtores menores.

A Gran Tierra não descarta investir mais também recursos convencionais, mesmo porque as empresas só têm certeza do que está debaixo da terra depois de perfurar. A maior de suas descobertas até agora no Brasil é Tiê (Recôncavo), onde produz 1,1 mil barris/dia de petróleo convencional. A empresa pretende construir até o fim de 2014 um gasoduto de 15 a 18 quilômetros para melhorar o escoamento de gás na região, o que possibilitaria elevar a produção de Tiê para até 2,5 mil barris/dia.

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