Candidato de Duhalde pode ficar fora do 2º turno

Ter o ex-presidente Carlos Menem à sua frente e o ex-ministro da Economia Ricardo López Murphy pisando em seus calcanhares não é uma situação fácil para Néstor Kirchner, governador da província de Santa Cruz e um dos candidatos peronistas à presidência da República.Kirchner está tecnicamente empatado nas pesquisas com Menem e López Murphy, candidato de centro-direita, e seu padrinho político, o presidente Eduardo Duhalde, está suando frio com essa situação, pois a vitória de Kirchner vai garantir o futuro de Duhalde no conturbado cenário da política argentina.Duhalde teme que Menem vença, já que este fará o possível para que o atual presidente nunca mais possa contar com estrutura política própria. Os dois querem ser o caudilho indiscutível do Partido Peronista. Se Kirchner vencer as eleições, Duhalde permanecerá no comando do país. Kirchner não tem base política própria e, por este motivo, precisará de Duhalde para governar.Na sexta-feira, Duhalde deu o sinal de alarme para que seus aliados políticos saiam às ruas em busca de votos para Kirchner. A esposa do presidente, Hilda "Chiche" de Duhalde, mobilizou a imensa máquina assistencialista que tem na Província de Buenos Aires para conquistar votos para Kirchner.O ministro da Economia, Roberto Lavagna, tampouco está poupando esforços e tenta convencer o establishment e a classe média de que a estabilidade financeira conseguida nos últimos meses permanecerá se Kirchner for eleito e confirmou que continuará como ministro se Kirchner vencer."Menem e López Murphy estão vinculados ao modelo econômico do ajuste perpétuo", disparou o presidente Duhalde neste fim de semana. Duhalde tenta assustar, afirmando que, se a Argentina der um passo atrás (em alusão a um retorno de Menem), "o país inteiro vai para La Chacarita". La Chacarita é o maior cemitério portenho.Leia o especial

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