Candidatos paraguaios querem discutir tarifas de Itaipu

Lugo afirma que pretende conseguir a 'soberania hidrelétrica' para o Paraguai

ARIEL PALACIOS, ENVIADO ESPECIAL, Agencia Estado

20 de abril de 2008 | 12h46

Dois dos três principais candidatos nas eleições no Paraguai querem revisar o acordo da usina hidrelétrica binacional de Itaipu. Eles são o bispo (suspenso temporariamente pelo Vaticano de suas funções eclesiásticas) Fernando Lugo, da coalizão Aliança Patriótica para a Mudança (APC) e Blanca Ovelar, ex-ministra da Educação, candidata da Associação Nacional Republicana (ANR), nome oficial do governista Partido Colorado.O candidato Lino Oviedo, o general de reserva - e ex-golpista - candidato da União Nacional de Cidadãos Éticos (Unace), indica que não pretende mexer no acordo até 2023, ano previsto para sua revisão. "Não vou ficar impaciente nem sentar sobre as turbinas de Itaipu", sustentou com dedo em riste à Agência Estado.Lugo afirma que pretende conseguir a "soberania hidrelétrica" para o Paraguai. O bispo considera que o Brasil paga muito pouco pela energia que o Paraguai não consome e é repassada ao mercado brasileiro. Para reverter essa situação, ele pretende iniciar um "diálogo" com o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.Lugo afirmou à Agência Estado que Lula lhe deu sinais de estar disposto a esse diálogo. "Pela primeira vez na história surge essa possibilidade", indicou o bispo, cuja coalizão de partidos conta com grupos tão antagônicos como o Partido Liberal Radical Autêntico (o PLRA, conservador) e movimentos de sem-terra e indígenas.Itaipu gera em média, por ano, 92.000 Gigawatts-hora (uns 20% da energia elétrica consumida no Brasil). O mercado interno paraguaio tem direito a 50% da energia produzida em Itaipu, mas só absorve 10% (devido ao tamanho pequeno de sua população e economia). O resto é repassado ao Brasil. Lug argumenta que o Paraguai recebe pouco mais de US$ 100 milhões por um excedente que seria cotado no mercado a US$ 2 bilhões.Blanca Ovelar disse à Agência Estado que pretende formar uma comissão internacional de especialistas em energia para que preparem um relatório no qual indiquem qual é o "preço justo" que o Brasil teria que pagar pela energia paraguaia.Os analistas indicam que tanto Lugo como Blanca, não poderão tomar medidas drásticas sobre Itaipu, ao contrário do realizado pelo presidente boliviano Evo Morales sobre o gás. Enquanto Morales tinha o controle unilateral do envio do gás boliviano, Itaipu é uma hidrelétrica binacional. 

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