Candidatos querem vender refinarias

Candidatos querem vender refinarias

Há entre os postulantes ao Planalto, porém, o consenso de que pelo menos uma fatia da Petrobrás deve ser mantida sob controle da União

Fernanda Nunes, O Estado de S.Paulo

02 Setembro 2018 | 05h00

RIO - A Petrobrás é um capítulo no programa de governo dos principais candidatos à Presidência da República na eleição deste ano. Não há entre os nove candidatos que lideram as pesquisas de intenção de votos quem fuja às polêmicas envolvendo a empresa. Há entre eles um consenso de que pelo menos uma fatia da petroleira deve ser mantida sob o controle da União. No mais, variam as percepções sobre a presença adequada do governo na empresa e o papel que deve desempenhar no setor de petróleo e gás natural. 

A venda das refinarias da Petrobrás, ou ao menos parte delas, é defendida pela maioria dos candidatos. Eles apostam que assim acabariam com o monopólio exercido pela estatal e, por meio da competição, estimulariam a queda dos preços. 

Numa escala ideológica, que varia da defesa da reestatização à da livre concorrência, um dos extremos é ocupado pelo PT, do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (que teve na sexta-feira a candidatura barrada pelo Tribunal Superior Eleitoral), e pelo PDT, de Ciro Gomes, com seus projetos de desenvolvimento econômico com a intervenção do governo na economia. O pré-sal tem papel de destaque nesses projetos. 

Na outra ponta está o PSL, de Jair Bolsonaro, para quem o setor de petróleo, pautado por uma regulação “orientada pelo estatismo”, entrou num ciclo de ineficiência desde que o pré-sal foi descoberto, como afirma em seu programa de governo.

Sob a coordenação do economista Paulo Guedes, a proposta de Bolsonaro para o setor – assim como a de João Amoêdo (Novo), Geraldo Alckmin (PSDB) e de Henrique Meirelles (MDB) – está mais próxima das reivindicações do mercado, de estímulo à competição e atração de novos investidores ao cenário econômico.

Transição. Já Marina Silva, da Rede, mantém a Petrobrás em posição de liderança, mas na transição do País para uma economia de baixo carbono, de substituição do petróleo pelas energias renováveis, menos poluentes. 

Por causa da greve dos caminhoneiros, no fim de maio, em protesto ao preço do óleo diesel, os combustíveis e o futuro das refinarias da Petrobrás ganharam destaque nas propostas de governo dos candidatos. “O grande questionamento da população, hoje, gira em torno da política de reajuste dos combustíveis. PT, PDT e PSOL apostam num modelo mais intervencionista, com a Petrobrás usada como ferramenta de controle dos preços. Já Alckmin e Marina têm uma visão mais empresarial, mas não deixam de ser sensíveis aos interesses populares”, avalia o cientista político da PUC-Rio, especialista em administração pública, Ricardo Ismael. 

Os candidatos do PSDB e da Rede acreditam que o consumidor não deve ser punido com revisões diárias dos preços nas bombas, mas também não querem que a Petrobrás seja prejudicada por isso. Já os candidatos João Amoêdo e Álvaro Dias (Podemos) defendem a livre flutuação de preços, conforme as variações internacionais.

O candidato do PDT, Ciro Gomes, dissocia os preços praticados pela Petrobrás do mercado externo. Ciro acredita que a estatal deveria se pautar apenas nos próprios custos, acrescidos de uma margem de lucro, para definir seus preços. 

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