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Canos inteligentes

Já faz alguns anos que escuto as operadoras de telecomunicações dizerem que não vão aceitar o papel de simples “dumb pipes”. Os “canos burros” da expressão em inglês referem-se à possibilidade de elas ficarem restritas à oferta de acesso à internet, sem conseguir agregar outros serviços à conexão. Nesse caso, a briga pelo mercado dependeria apenas de dois fatores - cobertura e preço -, o que, na visão das empresas, pode colocar em risco até sua viabilidade financeira.

Renato Cruz, O Estado de S. Paulo

14 de novembro de 2015 | 20h49

A ameaça desse cenário nunca foi tão grande, por causa de mudanças no comportamento dos consumidores. Desde maio, a telefonia celular brasileira perdeu 8 milhões de usuários, chegando a 275 milhões. O pós-pago cresceu, mas o pré-pago diminuiu em 10 milhões. Pode parecer efeito da crise, mas a principal explicação é que as pessoas, principalmente de baixa renda, deixaram de ver vantagem em ter mais de um chip, concentrando suas comunicações no WhatsApp. O presidente da Vivo, Amos Genish, reclamou recentemente do serviço de voz do aplicativo, mas o que a maioria usa mesmo são as mensagens.

No primeiro semestre deste ano, os serviços de voz deixaram de ser a principal fonte de receitas das operadoras, fixas e móveis. Segundo a consultoria Teleco, somaram R$ 32 bilhões, comparados a R$ 33,6 bilhões da receita líquida de dados e TV paga. As pessoas usam cada vez menos o telefone para falar.

A Telefónica, dona da Vivo, já anunciou há algum tempo a meta de se tornar uma “telco digital”. Isso significaria oferecer serviços digitais nos vários mercados em que atua. Apesar de a conectividade ser o pilar de suas atividades, a empresa sabe que precisa ir além disso. Uma peça importante nessa estratégia é a iniciativa chamada Open Future, que inclui a aceleradora Wayra e os fundos de investimento Amerigo e Telefónica Ventures.

As operações de capital de risco corporativo da Telefónica buscam oportunidades em empresas iniciantes de software. O grupo espanhol já investiu mais de ¤ 550 milhões em mais de 600 startups, em 17 países, incluindo o Brasil. Na semana passada, Ana Segurado, diretora da Telefónica Open Future, esteve no País para discutir novas parcerias.

“Temos dois objetivos: investir nas melhores startups tecnológicas, aproximando-as de nossas operações, e transformar a mentalidade da empresa, fazendo com que a Telefónica opere de forma mais parecida com uma startup”, disse Ana. No Brasil, a aceleradora Wayra já destinou R$ 38,6 milhões a 49 empresas. 

O mercado de telecomunicações tem sofrido transformações profundas causadas por aplicativos e serviços via internet. A iniciativa Open Future mostra que, já que não há como vencê-los, a saída pode ser investir neles.

DIGITAIS

- Crescimento

A startup brasileira Pipefy participa de programa de quatro meses da aceleradora 500 Startups, no Vale do Silício. A empresa foi apontada como a que mais cresce entre as 35 que participam do programa, por uma pesquisa da Mattermark, que avalia companhias iniciantes de tecnologia. A Pipefy oferece plataforma online para gestão de pequenas e médias empresas.

- Redução

O mercado de distribuição de produtos de tecnologia da informação deve diminuir 8% este ano no Brasil, segundo estudo encomendado pela Abradisti, associação das empresas do setor. O faturamento deve chegar a R$ 11,5 bilhões, ante R$ 12,6 bilhões em 2014. A crise também afeta as revendas de informática. Segundo o estudo, 57,6% delas não têm mais loja física. Desse total, 36,5% trabalham com escritório comercial e 21,1% em home office. 

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