Canteiro de Jirau é depredado e obras estão paralisadas

Foram registrados 3 atos de vandalismo com o incêndio e depredação de cerca de 30 unidades de alojamentos de trabalhadores

Luciana Collet,

03 de abril de 2012 | 18h15

SÃO PAULO - A Construtora Camargo Corrêa, contratada pelo consórcio de Jirau para construção das obras civis da usina hidrelétrica no Rio Madeira, em Rondônia, informou por meio de nota que na madrugada desta terça-feira, 3, atos de vandalismo foram praticados no canteiro de obras, com o incêndio e depredação de cerca de 30 unidades de alojamentos de trabalhadores, o que corresponde a cerca de 30% do total. Segundo a empresa, não houve registro de vítimas. A construtora disse que até o momento os prejuízos materiais ainda não podem ser avaliados e que as atividades de construção da usina somente devem ser retomadas após indicação das autoridades de segurança locais.

Depois de 26 dias de greve, as atividades de construção de Jirau haviam começado a ser retomadas ontem, após a aprovação, por assembleia de trabalhadores, de proposta de acordo mediada pela Delegacia Regional do Trabalho. Foi aprovada a antecipação de reajustes no salário de até 7% e do valor da cesta básica para até R$ 220,00, além de não descontar os dias parados que seriam compensados futuramente.

Depois dos incidentes, a Camargo Corrêa informou ter providenciado transporte, alimentação e alojamento provisório em Porto Velho, a 180 quilômetros da usina, para cerca de 3 mil operários, do total de 7 mil homens que trabalhavam no canteiro de obras afetado atualmente, e estava fazendo o recenseamento dos operários, oferecendo o retorno para casa daqueles que não quisessem mais continuar na obra. Com 2,2 mil recadastrados, cerca de 10% havia optado por deixar a construção.

Após o incidente no canteiro de obras de Jirau, a Secretaria de Segurança, Defesa e Cidadania (Sesdec) de Rondônia solicitou ao Ministério da Justiça um incremento do efetivo da Força Nacional de Segurança Pública, atualmente com 113 policiais. Segundo o órgão, mais homens devem chegar ao estado amanhã. Por ora, a secretaria estadual avaliou que não é necessário o emprego do Exército brasileiro, que também teria sido colocado à disposição pelo Ministério da Justiça.

Além das tropas da Força Nacional, o Estado de Rondônia tem mantido no local um policiamento que conta hoje com 80 Policiais Militares da Companhia de Operações Especiais (COE) e 60 policiais do serviço ordinário da PM, efetivo que não deve ser aumentado.

Na hidrelétrica Santo Antonio, que também está sendo construída no Rio Madeira, e cujas obras também ficaram paralisadas devido à greve, o consórcio construtor Santo Antonio informou que as atividades foram retomadas de forma pacífica e as obras voltaram ao ritmo normal.

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