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Canudinhos plásticos descartáveis. E agora?

Já foi demonstrado que esses materiais produzem danos irreparáveis ao meio ambiente, mas a guerra aos canudos esconde dois riscos, além de não oferecer solução à política de gestão resíduos sólidos

Celso Ming e Guilherme Guerra, O Estado de S.Paulo

10 de agosto de 2019 | 19h00

Já dá para notar certo sucesso nas decisões que proibiram o uso de canudinhos de plástico em estabelecimentos comerciais.

Estão no caminho certo. Como já foi sobejamente demonstrado, o descarte inapropriado de plásticos produz danos irreparáveis. Largados na natureza, os canudinhos vão para o esgoto e daí para os rios, que os despejam no mar e, assim, todo o ecossistema sai prejudicado.

Vista por outro ângulo, essa declaração de guerra aos canudos esconde dois riscos. O primeiro é deixar de fora o resto. Essa proibição alcançou apenas um produto sem marca conhecida e, portanto, sem lobby, e deixa de lado montanhas de plásticos usados. Ninguém se mobilizou para banir os tênis Nike ou Reebok, as sandálias Havaianas, as canetas Bic – todos igualmente de plástico, alguns recicláveis, cujo descarte inapropriado pode produzir os mesmos estragos. E, segundo, se ficar nisso, pode desencorajar passos seguintes, porque pode levar muita gente a achar que, sem canudos, já fez tudo para proteger o Planeta, como aquela pessoa que tem uma samambaia em casa e entende que, apenas por isso, já virou campeã na defesa do meio ambiente. 

A Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast) calcula a partir de dados do IBGE que o Brasil produz 6,2 milhões de toneladas de produtos plásticos por ano, dos quais apenas 0,03% corresponde à produção de canudinhos.

O presidente da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe), Carlos Silva Filho, tem uma crítica relevante à nova lei: “Estão tentando tapar o sol com canudo”. Para ele, a legislação traz o benefício de levar qualquer cidadão a tomar consciência da questão ambiental e do descarte desenfreado, mas é pouco significativa quando se trata de definir uma política consistente de gestão de resíduos sólidos.

Os dados do setor, regulamentado em 2010, são assustadores: há pouca ou nenhuma reciclagem no Brasil. Pelos levantamentos da Abrelpe, a média nacional é de 3%. As coisas poderiam melhorar caso fossem adotadas as chamadas alternativas verdes. Em abril deste ano, a Câmara dos Deputados instaurou a Frente Parlamentar sobre Economia Verde. O tempo dirá se iniciativas assim vingarão.

Não faltam boas ideias. Uma delas defende a tributação como ferramenta que incentiva o uso de materiais limpos com alíquotas mais baixas e pune com taxas mais altas as empresas que descuidam do meio ambiente.

O ex-secretário da Receita Federal Everardo Maciel prega a criação de uma green list de produtos classificados segundo seu impacto ambiental. Os de maior impacto seriam submetidos a impostos mais altos e os de baixo ou nenhum impacto, a impostos mais baixos ou à isenção. Ele também sugere a criação de um bônus verde que daria direito à redução de impostos para empresas que operassem com reconhecidas práticas de respeito à natureza.

O presidente da Abrelpe se queixa de outra perversidade tributária, a que deixa a matéria-prima original (“virgem”) mais barata para o fabricante do que o produto reciclado. “Acaba sendo mais barato produzir do que reciclar”, critica.

CONFIRA

» O ouro alça voo

Apenas nos nove primeiros dias de agosto, os preços internacionais do ouro subiram 5,79% em dólares, como se vê no gráfico ao lado. É o impacto do agravamento da guerra comercial entre Estados Unidos e China neste início de mês, que levou os administradores globais de capital a se refugiarem em ativos de segurança, o que provocou aumento da demanda por ouro. Mas a alta vem de mais longe. Nos últimos 12 meses terminados nesta sexta-feira as cotações do ouro haviam avançado 20,04%.

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