Canuto avalia prazo para Alca e diz que ?há muito o que fazer?

Em palestra na Câmara de Comércio Americana do Rio de Janeiro, o Secretário de Assuntos Internacionais do Ministério da Fazenda, Otaviano Canuto, estimou que, numa escala de zero a 100, a possibilidade de a Área de Livre Comércio para as Américas (Alca) ser aprovada até 2005 e entrar em operação em 2006 está em torno de 55. A possibilidade de o projeto fracassar e não ser implementado, porém, ainda é muito grande, na avaliação de Canuto, oscilando em torno de 40%. Ele acredita que o "mais provável" é que a Alca comece a funcionar em escala reduzida, com poucas concessões de parte a parte. É o que ele chama de "Alca pragmática", que deve se concentrar mais nos pontos de convergência do que nos pontos de divergência entre os 34 países da região.Na sua palestra, Canuto enfatizou que "há muito o que fazer" e ele considera que ainda não se alcançou o ritmo adequado para a discussão do tema. "Os próximos dois meses serão cruciais. Há muito trabalho a ser feito", enfatizou. Ele lembrou que haverá uma reunião em Cancun, no México, em setembro, e outra em Miami, nos Estados Unidos, em novembro. Até lá, ele espera que o Brasil tenha conseguido avançar mais na discussão do tema. Pontos importantesCanuto disse que há "um alívio" no Ministério da Fazenda quanto à essa negociação, porque as questões "estão mais claras" atualmente. "Hoje temos clareza dos pontos que temos de priorizar", complementou. A visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva aos Estados Unidos no mês passado "permitiu desobstruir alguns pontos", segundo ele. Entre os pontos que o governo brasileiro considera relevantes e onde houve progresso é que os Estados Unidos abriram a possibilidade de dar transparência aos critérios que o país adota na aplicação de alíquotas de importação. Outro "avanço", segundo ele, é que a Organização Mundial do Comércio (OMC) abriu "uma pequena possibilidade" de iniciar alguma discussão sobre o protecionismo agrícola europeu.

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