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Caos da infra-estrutura custa R$ 90 bi

Cálculo inclui, além dos custos logísticos, as perdas de energia e os gastos com saúde por falta de saneamento básico

Renée Pereira, O Estadao de S.Paulo

24 de novembro de 2007 | 00h00

O descompasso entre crescimento econômico e investimentos insuficientes durante décadas tem criado na infra-estrutura brasileira alguns disparates dignos de ficção. O exemplo mais evidente tem sido verificado nos portos, onde a movimentação dos navios obedece ao regime das marés. As embarcações só entram e saem dos terminais quando a maré está alta. Nas estradas, algumas vias pavimentadas são praticamente de terra; e, nas ferrovias, os trilhos se transformaram em área de lazer para a população. Tudo isso seria até curioso se não fosse real e significasse um custo anual de R$ 90 bilhões ao País, além de comprometer a competitividade do produto nacional. O cálculo inclui, além dos custos logísticos, as perdas de energia elétrica e os gastos com saúde por causa da falta de saneamento básico. Na avaliação de especialistas, um país que quer crescer acima de 5% ao ano não pode admitir uma degradação tão grande de sua infra-estrutura. Sem ela, a expansão da economia não consegue ser sustentável por muito tempo. "Quando falei pela primeira vez em apagão logístico, acharam um exagero. Mas, ao contrário do que ocorre no setor de energia, em que a luz é desligada, no transporte passamos a viver com situações de pura ineficiência, como as que estamos vendo agora", destaca o presidente da Associação Nacional do Transporte de Carga e Logística (NTC), Geraldo Vianna.A criação do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que contempla uma série de projetos de infra-estrutura, foi um passo positivo, mas até agora não apresentou resultados objetivos. Segundo dados do Sindicato Nacional da Construção Pesada (Sinicon), até outubro haviam sido empenhados cerca de 55% dos volumes autorizados para o PAC. "Trata-se de um programa determinado e empacotado. Para ter uma infra-estrutura adequada e eficiente, precisaríamos de muitos PACs", afirma o diretor de infra-estrutura da Confederação Nacional da Indústria (CNI), José de Freitas Mascarenhas. Ele elogia algumas mudanças de comando nos portos, mas também exige melhorias rápidas nos terminais. "Estamos muito mal em termos de logística de transporte e, mesmo assim, continuamos perdendo investimentos", destaca o presidente da Associação Brasileira dos Terminais Portuários (ABTP), Wilen Manteli. Segundo ele, o Brasil precisa aproveitar a elevada liquidez no mercado mundial e fazer licitações de áreas em alguns portos. "Há uma série de áreas públicas que poderiam ser concedidas à iniciativa privada e melhorar a capacidade dos portos nacionais. Mas há sete anos não temos nenhum processo licitatório no setor portuário", reclama Manteli.

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