Capacidade da indústria de bens de consumo é a menor desde 95

A utilização da capacidade das indústrias de bens de consumo do País é a mais baixa desde 1995, conforme levantamento da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Atingiu 73,5% em janeiro, puxando para baixo a média industrial, de 79,5% no período. O cenário, contudo, deverá melhorar ao longo do ano, seguindo a tendência do quadro econômico.A avaliação se aplica a setores com forte peso na produção industrial - como o automobilístico e o de eletrodomésticos. O caso da indústria automotiva é típico. Há quatro anos, a taxa de utilização da capacidade estava em torno de 90%, segundo dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).Em 1997, o parque podia fabricar 2,2 milhões de carros ao ano e a produção ficou em quase 2 milhões. Até 2001, o poder de fabricação foi ampliado em um milhão de veículos por ano, mas a demanda não acompanhou o avanço da capacidade fabril, nem as projeções iniciais de mercado. De 1996 a 2001, surgiram 20 das 50 fábricas atualmente instaladas no País e a capacidade saltou para 3,2 milhões de veículos ao ano. A conclusão da Anfavea é que o setor fechou o ano passado com uma faixa de utilização das linhas de produção do parque fabril em 56%.Para 2002, as projeções setoriais apontam para um aumento de produção de 1,8 milhão de unidades para 1,9 milhão, o que representaria um avanço para 60% na utilização da capacidade. Ainda assim, a recuperação dos níveis de produção a patamares semelhantes ao de 1997 ficará para o ano que vem, informou a entidade.No caso dos fabricantes de eletrodomésticos e eletroeletrônicos de consumo, a perspectiva é retomar, este ano, o tamanho de mercado de 2000. "Trabalha-se com a perspectiva de recuperação em 2002 para voltar a crescer no ano que vem", afirmou o presidente da Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos (Eletros), Paulo Saab. O objetivo é aumentar as vendas este ano em pelo menos 6,8%, o mesmo percentual da queda de vendas no ano passado, comparado a 2000, segundo a Eletros.Diferente de outros setores, a capacidade ociosa, que chegou a ficar entre 40% e 50% de 1997 a 1999, foi reduzida para 25%, por conta de ajustes de linhas e da parada de produção de algumas empresas.Saab conta que, em 2001, o setor foi afetado por um conjunto de fatores, como elevação dos juros, falta de oferta de crédito, situação geral da economia e impacto do racionamento. Apenas em maio, houve queda de vendas de 15% sobre abril. No mês seguinte, a retração das vendas chegou a 30%. Desde então, informa Saab, os níveis foram lentamente retomados. "Iniciamos um trabalho de ponto-de-venda mostrando que os eletrodomésticos não eram os vilões do racionamento", diz Saab.Segundo o coordenador da Sondagem Industrial da FGV, Salomão Quadros, o setor de bens de consumo responde rápidos aos sinais da economia, tanto no crescimento quanto na retração. "O desaquecimento da economia afetou diretamente o setor de duráveis, que no segundo semestre registrou queda de vendas", afirmou, citando que depois da retração nas vendas, vêm a queda de produção e o conseqüente aumento da ociosidade.Em janeiro, a taxa de ocupação dos demais setores ficou assim: bens intermediários (84,3%), materiais de construção (82,6%) e bens de capital (75,4%). Apesar do cenário ruim, as expectativas confirmam o otimismo generalizado para o ano. Quadros relata que as tendências detectadas para os próximos três meses são favoráveis no setor industrial, principalmente nos bens de consumo. "O núcleo do setor de duráveis acumulou barbaramente estoques e conseguiu desová-los rapidamente entre outubro e janeiro. Isto é sinal de que ainda há demanda. Não quer dizer que os empresários vão sair produzindo loucamente, mas eles estão entusiasmados com a diminuição de estoques em prazo reduzido", afirmou Quadros.

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