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Capitães da indústria agora fazem vinho

Donos de grandes empresas do Sul compram terras para plantar uvas e produzir vinho, como um novo empreendimento

Marianna Aragão, SÃO JOAQUIM (SC), O Estadao de S.Paulo

23 de agosto de 2009 | 00h00

Em 1999, ao se afastar do comando da empresa que fundou, a indústria cerâmica Cecrisa, o empresário Dilor de Freitas começou a procurar uma nova ocupação. Perto de completar 70 anos, ele não pretendia abandonar por completo a atividade empresarial, porém, queria poder passar mais tempo com os filhos, netos e a esposa. A propriedade rural que o empreendedor havia recém-adquirido na cidade de São Joaquim (SC) foi o local escolhido para conciliar esses interesses. A ideia inicial era cultivar maçãs nas montanhas da fria região.Mas uma possibilidade muito mais charmosa acabou mudando os planos de Dilor. Pesquisando para o futuro negócio, descobriu que as características da serra catarinense - altitude de 1.260 metros, baixas temperaturas e abundância de sol - também eram favoráveis à produção de uvas europeias. Pensou: por que não construir uma vinícola só sua? Afinal, além da família e dos negócios, o projeto faria o empresário catarinense se aproximar de mais uma paixão: o vinho.Em dezembro de 2005, a Villa Francioni foi inaugurada pelas mãos de seus quatro filhos. A segunda geração decidiu assumir o novo empreendimento, após a morte do pai, de enfarte, pouco mais de um ano antes de a primeira garrafa de vinho da marca ser aberta. "Foi uma responsabilidade, mas também uma honra muito grande levar o sonho do meu pai adiante", diz Daniela Borges de Freitas, presidente do conselho de administração da vinícola, cujos rótulos têm sido bem avaliados no mercado nacional.Outros empresários e executivos bem-sucedidos estão levando adiante o projeto de construir suas vinícolas. Em muitos casos, a empreitada está superando a expectativa dos criadores, passando de hobby a negócio sério. O empresário Wandér Weege, da família fundadora da Malwee, uma das maiores malharias do País, resolveu investir no cultivo de videiras, também na serra catarinense, em 2002. Os primeiros vinhos, com produção e engarrafamento terceirizados, foram ao mercado no ano passado. Segundo Weege, a Vinícola Pericó surgiu como um desafio pessoal - "produzir vinhos de qualidade em terras catarinenses" -, mas ganhou proporções inesperadas. "Vamos ampliar a plantação do vinhedo para 15 hectares, com outros tipos de uva, e investir ainda mais em qualidade."A expectativa é que a safra colhida em 2008 produza 80 mil garrafas até o fim deste ano. O empresário também tem planos de construir, em breve, uma estrutura própria para os vinhos em São Joaquim.Para especialistas, o investimento de novos empreendedores está abrindo um novo capítulo na história da vinicultura brasileira. "O interesse de grandes empresários é excelente para o vinho nacional", diz Hugo Baungartner, professor do curso Formação de Sommelier do Senac. Com dinheiro de sobra, eles têm investido pesado na compra de boas uvas, em tecnologia de ponta e na contratação de enólogos e agrônomos. "O resultado são vinhos de qualidade, apesar de ainda caros."Entre compra de terras, mudas, equipamentos e consultoria técnica, o investimento mínimo na construção de uma vinícola é de R$ 3 milhões, estima Baungartner. Daniela de Freitas, da Villa Francioni, não revela o valor investido, mas é provável que tenha superado essa quantia.Na vinícola, são usadas apenas barricas de carvalho francês - cerca de 300. Cada uma custa em média 1 mil. O fundador também importou equipamentos da Itália e contratou dois enólogos americanos, da região de Napa Valley, Califórnia, para assessorá-lo. O empresário do setor florestal Maurício Grando, outro apaixonado por vinho, trouxe um enólogo francês para ajudá-lo a erguer a Villaggio Grando, vinícola fundada há cinco anos em Água Doce (SC). Na região com altitude de 1.260 metros, ele instalou um laboratório de pesquisa e plantou as primeiras mudas francesas. Hoje, tem seis vinhos no mercado e produz 300 mil garrafas por ano. O próximo passo é ampliar sua vinícola protótipo para suportar o aumento de produção. "Com mais duas safras, vamos ter volume suficiente para o negócio começar a ter faturamento", diz Grando, que usou, até agora, só recursos próprios para tocar o projeto. Mesmo não dando lucro, ele diz que o negócio é a sua grande paixão. "Seria ótimo se pudesse me dedicar apenas aos vinhos, mas isso ainda não é possível."Raul Anselmo Randon, fundador da indústria de carrocerias e autopeças Randon e um dos precursores da nova geração de vinicultores, já consegue mais tempo para cuidar da produção de vinhos. Este ano, passou a administração de seu principal negócio aos filhos. Com menos compromissos, viaja quase todos os fins de semana para a região de Vacaria (RS), na chamada campanha gaúcha, onde estão seus vinhedos. Desde 2002, eles são usados na fabricação do vinho RAR (iniciais de seu nome), em parceria com a vinícola Miolo."A ideia era produzir um rótulo comemorativo para as minhas bodas de ouro", conta Randon. "Mas vi que o negócio ia bem e resolvi investir." Atualmente, ele mantém 80 hectares. Agora, quer se dedicar à construção da vinícola em sua propriedade em Vacaria. A meta é reduzir os custos do transporte das uvas até a Serra Gaúcha, onde está a sede da Miolo.

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