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Capitais inflacionários

O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, vem denunciando que o afluxo de moeda estrangeira no Brasil se tornou, mais que tudo, fator de inflação. A presidente Dilma Rousseff avisa e torna a avisar que a prioridade de política econômica do seu governo é combater a inflação.

Celso Ming, O Estado de S.Paulo

18 de maio de 2011 | 00h00

Ou seja, se é para levar a sério tanto o diagnóstico do presidente do Banco Central como a política da presidente da República, é preciso conter drasticamente a entrada de capitais. Não se trata mais de conter a entrada de moeda estrangeira para segurar o tombo do dólar, mas, sim, para truncar a marcha da inflação.

Tanto a afirmação de Tombini quanto a conclusão acima precisam ser melhor qualificadas. À primeira vista, parece estranha essa afirmação, dado que a derrubada do dólar no câmbio interno que se segue ao afluxo de capitais cumpre o efeito colateral de segurar os preços internos a partir de uma entrada mais acentuada de importados. Ou seja, a âncora cambial vinha sendo reconhecida como recurso anti-inflacionário, e não o contrário.

Mas Tombini se refere à forte tomada de empréstimos em moeda estrangeira por parte de bancos brasileiros. São recursos que vêm para cá não para serem reaplicados em renda fixa e assim tirar proveito dos juros mais altos, mas para servir de funding para operações de crédito. Em outras palavras, os bancos brasileiros estão tirando proveito da forte abundância de recursos no mercado externo para ampliar suas operações de crédito e, dessa maneira, sabotam a política de juros que tem como um dos seus objetivos conter o crédito.

A determinação do Banco Central é inibir a expansão do crédito superior a 15% neste ano para, assim, segurar o consumo e evitar a disparada dos preços. No entanto, como ontem apontou reportagem do jornal O Globo, o avanço das operações de crédito dos grandes bancos brasileiros, no primeiro trimestre de 2011 em comparação com igual período do ano passado, está muito acima desses 15%. A Caixa Econômica Federal, por exemplo, está expandindo o crédito ao ritmo de 39,4% e a direção do banco avisou há dias que não vai reduzir a marcha. O outro grande banco estatal, o Banco do Brasil, vai aumentando sua carteira de crédito a 19,3%.

Ou seja, os maiores bancos estatais são os primeiros a ignorar a determinação do Banco Central. Como os bancos privados não podem se dar ao luxo de perder participação de mercado, não há o que consiga deter a marcha do crédito.

O Banco Central não está de olho somente na tomada de empréstimos externos pelos bancos brasileiros. Quer também reduzir a tomada de empréstimos externos pelas grandes empresas brasileiras. Se estas se abastecem de crédito lá fora, deixam os bancos com mais recursos aqui dentro para reemprestar a outras empresas.

O problema é que as empresas brasileiras precisam de mais recursos. Só a Petrobrás já avisou que planeja captar pelo menos mais US$ 60 bilhões nos próximos cinco anos no mercado externo. Esta será uma equação difícil de armar sem prejudicar o futuro da empresa brasileira e o desenvolvimento do País. No mais, fechar essa porta do crédito externo implica desistir de tirar proveito da atual bonanza global, para reabri-la em que momento? Quando voltar a seca de capitais?      

CONFIRA    

   

 

 

O gráfico mostra como os bancos vêm tomando recursos no exterior.  

   

 

De vento em popa

O setor de serviços foi, de novo, o que mais proporcionou empregos com carteira assinada no País em abril: 114,4 mil postos de trabalho e crescimento de 0,78%. Na indústria de transformação, houve aumento de 0,63% e no comércio, de 0,52%.  

Mercado aquecido

Os números do Caged mostram que o mercado de trabalho segue aquecido às vésperas das mais importantes negociações salariais do País.

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