Capitais perdem participação no PIB do País

O conjunto das capitais do País teve perda de participação relativa no PIB de 1999 a 2003, enquanto aumentou a fatia dos municípios fora das regiões metropolitanas das capitais, segundo pesquisa divulgada hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A participação das capitais no PIB brasileiro caiu de 31,9% em 1999 para 28% em 2003, enquanto a participação dos municípios fora das regiões metropolitanas das capitais subiu, no período, de 46% para 49,7%. A queda da participação das capitais no PIB de 1999 a 2003, enquanto cresceu a fatia dos municípios fora das regiões metropolitanas das capitais, ocorreu especialmente por causa do movimento da indústria, segundo salientou a coordenadora do PIB Municipal do IBGE, Sheila Zani. O coordenador de contas nacionais, Roberto Olinto, disse que ainda não é possível afirmar que a queda da fatia do PIB das capitais é uma tendência, em benefício do interior. Ele argumenta que a conjuntura econômica de 2003 foi desfavorável e as grandes cidades refletem esses problemas em grau bem maior do que os municípios menores. Segundo ele, os dados municipais de 2004 serão fundamentais para checar qual a tendência desse movimento, já que foi um ano de crescimento forte da economia e, assim, pode ter beneficiado os grandes centros do País. Para Olinto, há duas hipóteses para a migração de parte da fatia do PIB das capitais para o interior: ou as empresas estão saindo das grandes cidades ou as empresas fora das capitais estão crescendo com mais vigor. Maiores PIBs Segundo a pesquisa, relativa ao período 1999-2003, apenas 10 municípios brasileiros somavam o equivalente a 25% do Produto Interno Bruto (PIB) do País em 2003. São eles, nessa ordem no ranking: São Paulo (9,44%), Rio de Janeiro (4,34%), Brasília (2,43%), Manaus (1,50%), Belo Horizonte (1,39%), Campos dos Goytacazes (RJ, 1,08%), Guarulhos (1,03%), Curitiba (0,99%), Duque de Caxias (RJ, 0,99%), e Porto Alegre (0,94%). Por outro lado, cinco municípios que têm o menor PIB têm uma fatia de 0,001% do total do País. São eles Francisco Macedo (Piauí), Oliveira de Fátima (Tocantins), Santo Antônio dos Milagres (Piauí), São Miguel da Baixa Grande (Piauí) e São Félix do Tocantins (Tocantins). A pesquisa mostrou ainda que quase metade das cidades brasileiras tem um quarto da economia dependente da administração pública. Estado de São Paulo A RIQUEZA DO PAÍS PELOS MUNICÍPIOS - O PIB brasileiro somou R$ 1,556 trilhão em 2003, 15,6% acima de 2002 em valores nominais. - Dez municípios brasileiros, com 15,9% da população brasileira, detinham 25% do PIB nacional em 2003. Um ano antes, eram nove com a mesma fatia da riqueza. - Em contrapartida, 1.289 cidades somam apenas 1% do PIB e 3,8% dos habitantes. - De 1999 a 2003, a capital de São Paulo perdeu 2,1 ponto porcentual no PIB nacional, caindo de 11,6% para 9,4%. A segunda maior perda foi do Rio de Janeiro, com redução de 1,2 ponto, de 5,6% para 4,3% na riqueza nacional. - Enquanto a riqueza nas capitais cresceu 40,5% em termos nominais e 61,1% para as regiões metropolitanas de 1999 a 2002, o PIB das regiões fora destas duas áreas (no resto do País) cresceu 72,5%. No mesmo período, o PIB brasileiro avançou 59,80% em termos nominais. Um dado importante da economia do Estado de São Paulo é que, além da capital se manter no primeiro lugar entre os municípios brasileiros no PIB, o município de Guarulhos subiu da oitava posição em 1999 para a sétima posição em 2003. Na análise dos dados dos maiores PIBs municipais do País, o documento de divulgação do IBGE destaca o fenômeno do ganho de posição de dois municípios: Duque de Caxias e Campos dos Goytacazes, ambos no Estado do Rio de Janeiro e beneficiados pelo petróleo. O município de Campos dos Goytacazes, que em 1999 ocupava a 27a posição, com 0,44% do PIB, chegou a 2003 na sexta posição, impulsionado pela extração de petróleo. PIB per capita O município de São Francisco do Conde, na Bahia, apresenta o maior PIB per capita brasileiro desde o início da série do PIB municipal do IBGE, iniciada em 1999. No município está instalada a Refinaria Landulpho Alves-Mataripe sendo que, em 1999, suas instalações foram ampliadas para a construção de mais uma unidade. O PIB per capita de cada município é resultado da divisão do valor do PIB do município por sua população residente. Em 2003, o PIB per capita local foi de R$ 282 mil, mais de dez vezes maior que o de Vitória (o maior entre as capitais, com R$ 26.534) e 20 vezes superior ao de São Paulo (quarta capital no ranking, com R$ 13.661). Em segundo lugar entre os maiores PIBs per capita do País vem Triunfo (RS, com R$ 213 mil), sede de importante pólo petroquímico e com baixa densidade populacional. A população de São Francisco do Conde é de apenas 28,7 mil pessoas e a de Triunfo, de 23,8 mil. No documento de divulgação do IBGE os técnicos alertam que "é relevante salientar que nem toda a renda produzida dentro da área do município é apropriada pela população residente".

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.