Fernando Scheller/Estadão
Fernando Scheller/Estadão

Capital das compras tem de se reinventar

Novos pacotes de viagem para brasileiros são mais variados e incluem passeios a praias, visitas a museus e a áreas culturais como Little Havana

O Estado de S. Paulo

17 de outubro de 2015 | 18h09

A professora universitária Maria Nazareth Mota, 61 anos, já foi tantas vezes a Miami que quase perdeu a conta. Na maior parte das vezes, no entanto, nem viu tanto a luz do sol. Passou a maior parte do tempo sob as lâmpadas dos outlets. Na semana passada, ao viajar de Manaus a Miami com amigas, resolveu mudar o roteiro. Começou devagar, com um minicruzeiro de três dias nas Bahamas. “Tem tanta coisa perto daqui, é mais do que compras”, disse ela ao Estado, no corredor do shopping de descontos preferido dos brasileiros na cidade, o Sawgrass Mills.

Dessa vez, porém, a professora disse ter sido econômica. Levou apenas duas bolsas da Calvin Klein, a US$ 67 cada uma. “Meus filhos usam no dia a dia e, um ano mais tarde, elas já estão velhas”, justificou-se. Das lojas de bolsas que mais gosta, como Michael Kors e Kate Spade, ela tentou manter distância - justamente para não gastar além da conta. “Nem passei por lá, primeiro porque as bolsas estão uns R$ 1,2 mil. Com o dólar a R$ 4, está ficando muito caro para nós brasileiros.”

Tirar os brasileiros dos outlets e propor novas atividades - culturais, artísticas ou ao ar livre - é justamente o que o Miami Convention and Visitors Bureau está tentando fazer. O turismo é um dos pilares econômicos da cidade, e metade dos visitantes vem de outros países. O Brasil é o país que mais envia turistas para Miami. No ano passado, apesar da queda de 3% em relação a 2013, mais de 730 mil brasileiros estiveram na cidade. 

Como as compras vêm sendo o principal fator de atração dos brasileiros a Miami há bastante tempo, a cidade está tentando mudar rapidamente. Nos novos pacotes para a região de Miami estão sendo incluídos passeios em praias, visitas a museus recém-inaugurados e também áreas culturais como Little Havana.

Consultoria. O Miami Convention and Visitors Bureau está presente há 20 anos no Brasil. Para trabalhar a imagem da cidade, a entidade contratou uma empresa de relações públicas e uma consultoria para ajudar as agências de viagem a montar pacotes mais variados. “Infelizmente, para os nossos parceiros de varejo, a receita será prejudicada pelo dólar a R$ 4. Mas, ao continuar a atrair os brasileiros, conseguimos manter o movimento dos hotéis e dos restaurantes”, disse o vice-presidente executivo do Miami Visitors Bureau, Ronaldo Aedo.

Um dos fatores que atualmente pesam a favor de Miami é o preço das passagens aéreas. Como houve expansão agressiva da oferta nos últimos anos - há voos diários saindo de 12 cidades brasileiras -, os preços tiveram de cair com a redução da demanda.

“As companhias aéreas estão sendo obrigadas a se adaptar, é a mágica da competição”, explicou Aedo. A entidade também acompanha as negociações da isenção de vistos para turistas brasileiros nos EUA. Segundo o vice-presidente do escritório de turismo, a redução da burocracia ajudaria muito a atrair visitantes. 

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