Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão

Capital estrangeiro está pronto para aportar no Brasil

Segundo Seth Weintrob, head global de Real Estate do Morgan Stanley, investidores aguardam reformas

Eliane Sobral, ESPECIAL PARA O ESTADO

25 de abril de 2019 | 06h00

O setor imobiliário brasileiro pode ser o destino de um expressivo fluxo de capital estrangeiro, de acordo com o head global de Real Estate do Morgan Stanley, Seth Weintrob. Ele foi o convidado internacional do Summit Imobiliário 2019 e, além de dar um panorama da movimentação financeira ao redor do mundo, falou também das tendências para o setor. 

Os investidores internacionais andaram reticentes com o Brasil, disse ele. Mas a perspectiva do novo governo de fazer as reformas econômicas botou o País de novo no radar do capital estrangeiro. “De forma geral, as pessoas estão otimistas e querem investir. Na Índia, também foi assim, observaram as mudanças para só depois investir”, afirmou o executivo.

Para Weintrob, a disputa na atração do capital estrangeiro entre os Brics está concentrada entre Índia e Brasil. “Até pouco tempo, a Índia era o destino apenas de operações de back office. Hoje, há uma grande demanda de multinacionais q    ue querem se instalar por lá”, disse. Ele não minimiza o papel da China na atração de capital, mas ressalva que o humor governamental chinês não é algo que atraia os investidores. 

Quando perguntado sobre as expectativas internacionais em relação ao novo governo brasileiro, o executivo foi rápido em responder. “Acho que têm uma visão otimista. Há uma série de iniciativas que são positivas, como as medidas na área da segurança e no combate à corrupção. Mas os investidores vão observar o que vai acontecer. Neste momento, estão apenas olhando cuidadosamente.” 

Para Seth Weintrob, é difícil estimar quanto o Brasil poderia receber no curto e médio prazos, mas lembra que só o fundo Blackstone, um dos maiores do mundo, identificou uma oportunidade de negócio na Índia e fez um investimento de US$ 4 bilhões.

“Primeiro foi o Blackstone, depois foram outros grandes fundos com aportes na casa dos bilhões de dólares. Isso pode dar uma dimensão do que estamos falando para o mercado brasileiro. Claro, são mercados diferentes e os investidores consideram o ambiente e as oportunidades. Mas, sim, creio que há muitos fundos prontos para investir no Brasil.”

Futuro

Weintrob falou ainda das iniciativas globais às quais o empresário brasileiro deve estar atento. “Há uma tendência global de busca por novas opções como espaços para logística de e-commerce, espaço para instalação de torres de telefonia móvel, coliving e coworking, entre tantas novidades”, disse, acrescentando que inovações no sistema de construção também são muito bem-vindas e atrativas para quem quer investir no segmento. “Não pensem apenas em investimentos. Pensem também em novos produtos e em novas soluções”, sugeriu o executivo do Morgan Stanley. 

Serviços

Ele alerta que as mudanças de comportamento vão continuar influenciando o futuro do setor, lembrando que as gerações Y e Z estão mais focadas em experiências do que em bens materiais. “Em todo o mundo, o mercado está focado em oferecer mais serviços. E essa é a mudança: nos vermos mais como provedores de serviços do que de espaços físicos. Essa será a grande diferença entre perdedores e ganhadores.”

Os exemplos do que Weintrob disse já faz parte do nosso dia a dia, como chaves automáticas em hotéis, a possibilidade de comprar uma residência sem a presença física de um corretor de imóveis ou os painéis de energia solar no telhado de residências e empresas. Internet das coisas e sustentabilidade, lembra o executivo, são o nome do novo jogo. “Nos Estados Unidos, você já vê isso em casas da classe média”, comentou.

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