Capital externo puxa fusões e aquisições

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O Estado de S.Paulo

25 de novembro de 2018 | 05h00

O valor das fusões e aquisições continua muito elevado este ano, embora o número de operações tenha permanecido estável. Segundo levantamento realizado pela consultoria Thomson Reuters Deals Intelligence, foram fechadas 88 operações desse tipo em setembro, no valor de R$ 22,6 bilhões, o que representa um crescimento de 184,6% em relação ao mesmo mês de 2017. No acumulado do ano até o fim do terceiro trimestre, o volume alcança R$ 196,6 bilhões, 6,9% a mais que no período de janeiro a setembro do ano passado. Já o número das operações foi de 600, apenas 1% mais que em idêntico período de 2017.

Em levantamento mais detalhado realizado por aquela consultoria relativo ao período janeiro-agosto, verifica-se que o volume de fusões e aquisições internas, envolvendo empresas instaladas no País, tem apresentado forte queda, diminuindo 34% no período janeiro-agosto deste ano, somando 142 transações, no valor de US$ 18,4 bilhões, o pior resultado desde 2006.

Se a crise interna influiu decisivamente sobre a concentração das empresas nacionais, de outro lado favoreceu uma maior abertura para o capital externo. As companhias americanas, confirmando uma tendência histórica, têm sido as mais ativas em fusões e incorporações no Brasil. Puxadas pela negociação entre a Boeing e a Embraer, companhias sediadas nos EUA movimentaram US$ 4,24 bilhões na compra do controle ou de participação de empresas do Brasil de janeiro a agosto de 2018, um aumento de 229% em relação aos mesmos meses de 2017 (US$ 1,29 bilhão).

Também teve grande destaque nesse período a aquisição de 70% da Eletropaulo pela italiana Enel, o que elevou o total das transações entre empresas da Itália e do Brasil para US$ 3,27 bilhões, um salto de 1.680% em relação a janeiro-agosto de 2017 (US$ 184 milhões).

No que tange a fusões e aquisições, o ranking do primeiro semestre confirma os EUA à frente (US$ 4,4 bilhões), vindo em seguida o Japão (US$ 3,78 bilhões) e, logo depois, a China (US$ 2,14 bilhões) e o Canadá (US$ 1,5 bilhão).

Vê-se pelos números de setembro que o clima antes das eleições não afetou os negócios nesta área. A expectativa é de que o volume se eleve de ora em diante, tendo em vista a disposição do próximo governo de abrir mais a economia para o exterior e de dar mais impulso às privatizações.

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