Capital nacional aparece mais em fusões e aquisições

Passados três anos da desvalorização, o capital doméstico está voltando a participar de maneira mais ativa no processo de fusões e aquisições do País. Pesquisa sobre o comportamento do setor em 2001, divulgada pela consultoria KPMG, mostra que, das 340 transações realizadas no ano passado, 146 foram feitas por empresas brasileiras. Apesar de ainda não representarem maioria em relação ao capital estrangeiro, é uma participação que vem crescendo nos últimos anos. Em 1999, ano da desvalorização, foram realizadas 101 fusões e aquisições representadas por empresas brasileiras, contra 208 estrangeiras. Em 2000, foram 123 operações de investidores domésticos contra 230 representadas pelos estrangeiros. "Sem dúvida, essa evolução mostra que a empresa brasileira partiu para um processo mais amplo de reestruturação depois da desvalorização, ganhando escala e participando de maneira mais competitiva das grandes aquisições no País", explica Marcio Lutterbach, sócio da KPMG, citando grandes operações, como as aquisições feitas em 2001 por grupos como o Itaú, o Bradesco, a Alcoa e o Pão de Açúcar. "É importante lembrar que algumas das operações de ?cross border? (através de fronteiras) são de empresas domésticas comprando empresas no exterior", acrescenta. O executivo também destaca, nesse sentido, o processo de fusão em alguns setores de menor porte, como medida de fortalecimento em busca de competitividade. Parte dessa queda da diferença entre capital nacional e externo também pode ser explicada pelo adiamento de alguns planos de investimento dos estrangeiros no Brasil, em função das crises de energia e da Argentina e, em menor grau, dos atentados terroristas nos Estados Unidos. Segundo analistas, muitos desses planos foram temporariamente adiados até que se tenha um horizonte mais claro sobre os desfechos das crises. "Isso foi especialmente visível no terceiro e no quarto trimestre, em que muitos clientes suspenderam ou mesmo adiaram seus planos de compras no Brasil", confirma o sócio da KPMG. Apesar disso, ele avalia que a queda de 3,5% no total de operações em 2001 sobre o ano de 2000 não pode ser considerado ruim. "Foi um bom resultado, considerando os problemas que afetaram a economia brasileira", comenta. Para o consultor Luiz Nelson Araújo, da Trevisan Consultores, os números mostram que as previsões mais catastrofistas não se confirmaram. "E os dados sobre participação do capital nacional mostram que as empresas brasileiras estão sabendo aproveitar as oportunidades", acrescenta.EnergiaAs companhias energéticas lideraram, no último trimestre de 2001, o ranking setorial de fusões e aquisições, de acordo com pesquisa realizada pela KPMG. O estudo aponta a realização de 14 transações de companhias energéticas no período, sendo que 13 delas envolveram somente capital nacional. No acumulado do ano, contudo, as companhias energéticas ficaram na segunda posição entre os setores com maior número de fusões e aquisições, perdendo apenas para a indústria de petróleo, que manteve a liderança do ranking setorial com um total de 40 transações realizadas durante 2001. Desse total, 31 operações ocorreram mediante desembolso de capital estrangeiro. A liderança do setor de petróleo no ano passado é reflexo direto da terceira rodada de licitações de áreas de produção e exploração de petróleo e gás natural, realizada em junho do ano passado pela Agência Nacional do Petróleo (ANP), que movimentou cerca de R$ 594 milhões. Tanto que, no último trimestre de 2001, o setor de petróleo nem aparece entre os 24 primeiros setores listados pelo estudo. Na rodada de licitações da ANP, foram licitadas 34 áreas, de um total de 53 ofertadas, arrematadas por 22 empresas de 12 países. No levantamento anual, as companhias energéticas asseguraram a segunda posição, com um total de 36 transações. Desse total, 28 transações foram de capital doméstico. Em uma série histórica, com início no ano de 1994, a KPMG constatou que tanto o setor de petróleo, como as companhias energéticas, registraram recordes nas transações de fusões e aquisições. Na indústria de petróleo, o recorde anterior foi 28 transações, verificadas em 2000. No mesmo ano, as companhias estrangeiras haviam registrado o maior número de aquisições e fusões - 20 transações.

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