Capital não tem indústria nem comércio fortes

A capital planejada do Tocantins, na beira da represa do Lageado, é uma ilha da fantasia financiada por dinheiro federal. A cidade que concentra a maior parte do dinheiro repassado ao Estado tem infraestrutura, mas não tem comércio, serviços ou atraiu indústrias fortes. Da manteiga ao sabão, quase tudo que é consumido na capital vem de Goiânia e Brasília. Mais da metade das famílias vive de empregos diretos do poder público.

PALMAS (TO), O Estado de S.Paulo

28 de abril de 2013 | 02h06

A cidade ajuda a elevar os índices numa área sensível. O Estado está em 12.º lugar no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), à frente de Bahia, Maranhão, Pará e Piauí. De 0 a 10, os estudantes do Tocantins tiraram nota 4,9 em 2011. É a maior nota do Norte.

Palmas é criação do governador tucano José Wilson Siqueira Campos, 84 anos, que está no quarto mandato. Em 1988, ele negociou com Ulysses Guimarães, Fernando Henrique Cardoso, Mario Covas e José Serra a criação do Estado em troca de apoio a propostas do grupo. O Triângulo Mineiro, o Nortão de Mato Grosso e o Sul da Bahia não conseguiram se desmembrar. No comando de cada prefeitura, ele emplacou aliados. Mas cidades projetadas viraram dormitórios, que vivem do dinheiro de caminhoneiros.

O então norte goiano, maior que o Uruguai, passou de 60 municípios para 139. A ideia era chegar a 146, mas novas leis impediram. A elite econômica mora longe de Tocantins e os pobres, bem perto de silos de grãos, pátios tomados por bags - depósitos improvisados de soja - e pastos de pecuária.

Nas eleições de 2010, Siqueira Campos derrotou o então governador Carlos Henrique Gaguim, do PMDB, por diferença de sete mil votos apenas. Enfrentou um adversário apoiado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A oposição estava fragilizada por denúncias. O ex-aliado Marcelo Miranda, do PMDB, teve o mandato de governador cassado em 2009. E o ex-prefeito de Palmas Raul Filho (PT) sofreu denúncia de envolvimento com esquema de corrupção./ L.N.

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