''Capital pode não ser permanente''

Para ministro Mantega, investidores estão buscando alternativas

Renata Veríssimo, O Estadao de S.Paulo

04 de junho de 2009 | 00h00

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse ontem que o governo está analisando alternativas para conter a valorização do real em relação ao dólar, mas afirmou que ainda é cedo para adotar medidas. Segundo ele, o fluxo atual de entrada de capital estrangeiro no Brasil pode não ser permanente. "É quase um desafogo da economia internacional que ficou reprimida por causa da crise e que agora está voltando. Acho que houve uma euforia que pode ser passageira e, de repente, os investidores deixaram a aplicação segura e pouco rentável do dólar e estão buscando alternativas", avaliou, após evento em que foi apresentado um balanço do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).Mantega repetiu que não pretende taxar a entrada de capital estrangeiro no Brasil com o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). Ele voltou a dizer que o câmbio valorizado preocupa. "Mas não adianta usar a arma errada", destacou. O ministro considera positiva a entrada de capital estrangeiro na bolsa porque permite uma capitalização mais barata das empresas nacionais. "Também acho importante que venha investimento direto porque vai mobilizar a economia. É o primeiro passo favorável. Mas não me arriscaria a prever que vai ser um fluxo devastador, que vai entrar um monte de capital", acrescentou. Segundo Mantega, parte da entrada de dólares no Brasil pode ser explicada pelo fato de que algumas empresas brasileiras voltaram a captar recursos no exterior. E a alta das commodities também pode ter levado investidores para a BM&F. Ao ser questionado se o aumento das reservas poderia ajudar a conter a alta do real, Mantega disse que a compra de reservas tem mais o objetivo de aproveitar a baixa cotação do dólar. "Quanto mais reserva se tem num período de crise, mais forte e segura é a economia." Ele evitou comentar se a redução das taxas de juros serviria para conter a queda do dólar. Também não quis avaliar se a divulgação do resultado negativo do Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro trimestre de 2009, prevista para a semana que vem, um dia antes da próxima reunião do Conselho de Política Monetária (Copom), poderia influenciar a decisão do Banco Central em relação aos juros. "Todo mundo sabe que este primeiro trimestre vai apresentar resultado negativo."

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